Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
SAFRA RECORDE

Com lavouras mais produtivas, Mato Grosso eleva estimativa da safra 2025/26 de algodão

algodão

A estimativa para a safra de algodão 2025/26 em Mato Grosso ganhou um novo impulso em junho. Apesar da redução da área cultivada no estado, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) elevou a projeção de produtividade das lavouras, o que resultou em uma revisão para cima da produção estadual.

Segundo o levantamento, a área destinada ao cultivo do algodão permaneceu estimada em 1,38 milhão de hectares, número que representa retração de 11,11% em relação à safra anterior. O recuo reflete principalmente o cenário menos favorável para os preços da fibra nos últimos meses e o aumento dos custos de produção enfrentados pelos produtores.

Mesmo com menos área semeada, o desempenho das lavouras tem surpreendido positivamente. O Imea revisou a produtividade média para 304,02 arrobas por hectare, aumento de 6,32 arrobas por hectare em comparação com a estimativa divulgada em maio.

A melhora está associada às condições favoráveis registradas nos primeiros meses após o plantio. O bom desenvolvimento vegetativo observado nas principais regiões produtoras elevou o potencial produtivo das áreas cultivadas e levou à revisão dos números da safra.

Com isso, a produção de algodão em caroço foi projetada em 6,27 milhões de toneladas, avanço de 2,12% frente à estimativa anterior. O volume reforça a posição de Mato Grosso como maior produtor de algodão do país, mesmo diante da redução da área plantada.

Apesar do cenário positivo, o instituto ressalta que o resultado final da safra ainda dependerá das condições climáticas nos próximos meses. A fase de desenvolvimento das lavouras segue em andamento e o comportamento do clima continuará sendo determinante para a consolidação do potencial produtivo.

Comercialização avança e produtores ampliam vendas antecipadas

Os números do Imea mostram que os produtores seguem avançando na comercialização da produção.

A safra 2025/26 já tinha 68,89% da pluma negociada até maio, percentual superior ao observado em etapas semelhantes de ciclos anteriores. O desempenho demonstra que parte significativa da produção já possui destino definido, reduzindo a exposição dos cotonicultores às oscilações futuras do mercado.

Já para a safra 2026/27, ainda em fase inicial de negociação, a comercialização alcançou 21,22% da produção estimada, indicando continuidade da estratégia de travamento antecipado de preços adotada pelos produtores mato-grossenses.

Mercado internacional segue pressionando cotações

Enquanto a perspectiva produtiva melhora no campo, o mercado internacional continua exercendo pressão sobre os preços da fibra.

O contrato de julho de 2026 negociado na Bolsa de Nova York encerrou a última semana de maio cotado a 76,15 centavos de dólar por libra-peso, abaixo dos níveis observados no início do mês. Já o contrato para dezembro de 2026 fechou em 79,59 centavos de dólar por libra-peso.

Em Mato Grosso, o preço da pluma acompanhou a volatilidade do mercado externo. O indicador do Imea registrou média de R$ 131,80 por arroba, enquanto o indicador Cepea/Esalq alcançou 427,93 centavos de real por libra-peso.

Mesmo diante das oscilações internacionais, as cotações seguem acima do ponto de equilíbrio operacional estimado pelo instituto para a safra 2026/27, calculado em cerca de R$ 127 por arroba, fator que continua garantindo margem positiva para parte dos produtores.

Subprodutos apresentam comportamento distinto

Entre os derivados do algodão, o caroço disponível foi negociado a R$ 929,50 por tonelada no fechamento de maio. Em regiões importantes do estado, como Campo Verde e Sapezal, os preços ficaram em R$ 988,00 por tonelada e R$ 905,00 por tonelada, respectivamente.

A torta de algodão encerrou o período cotada a R$ 916,63 por tonelada, enquanto o óleo de algodão manteve estabilidade e foi negociado próximo de R$ 5.355 por tonelada.

Clima será decisivo para confirmar projeções

Embora a revisão da produtividade tenha melhorado as perspectivas para a safra 2025/26, o mercado segue atento às condições climáticas que irão acompanhar o desenvolvimento das lavouras nos próximos meses.

A combinação entre menor área plantada e maior potencial produtivo mostra que os produtores apostam em ganhos de eficiência para compensar o recuo dos investimentos em expansão de área. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, Mato Grosso poderá registrar uma das maiores produções de algodão de sua história, mesmo cultivando menos hectares do que na temporada anterior.

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