Coronel Fernanda rebate Abilio após aliança com MDB e usa Operação Heritage para reforçar críticas: “Eu não sou porcaria, nunca fui”
Deputada rebate críticas à aliança de Wellington Fagundes com o MDB e questiona apoio de integrantes do partido ao grupo de Pivetta

A aliança do PL com o MDB para a disputa pelo Governo de Mato Grosso e a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, ampliaram a divisão entre as principais lideranças bolsonaristas do Estado. Neste cenário, a deputada federal Coronel Fernanda (PL) voltou a confrontar o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e questionou a posição de quem critica sua aproximação com o MDB enquanto mantém diálogo com integrantes do grupo político atingido pela investigação.
A reação ocorre depois de Abilio classificar como “porcaria” o grupo político reunido em torno da aliança entre PL e MDB e afirmar que não se juntaria ao grupo, mesmo diante de eventual orientação partidária. Coronel Fernanda estava entre as lideranças que participaram da convenção do MDB e, desde então, passou a ser alvo das críticas.
Sem citar Abilio diretamente, a deputada afirmou que sua presença no evento teve caráter estratégico e estava relacionada à construção de alianças para fortalecer o projeto eleitoral do PL, incluindo a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
“Eu estava lá. Eu não sou porcaria. Nunca fui porcaria e nunca serei. Eu tenho um nome a zelar. Eu tenho uma história para defender. E sempre me posicionei de forma clara e contínua. Não dou recado”, afirmou.
Operação Heritage entra no embate
O tom da deputada subiu após a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (6), atingir integrantes do grupo político que conta com o apoio de Abilio.
A investigação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi durante a gestão do então governador Mauro Mendes (União Brasil). Entre os alvos da operação estão Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), nome ligado ao grupo que articula a candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado.
Foi nesse contexto que Coronel Fernanda devolveu as críticas feitas contra sua participação na aliança com o MDB.
“Eu quero dizer o seguinte, para quem falou que eu sou porcaria, porcaria estava do lado de lá e não do lado onde eu estou. Cada um responde pelos seus atos”, disparou.
A declaração evidencia a divisão existente dentro do próprio campo bolsonarista em Mato Grosso. De um lado, Coronel Fernanda e o grupo que defende a candidatura de Wellington Fagundes pelo PL; de outro, Abilio Brunini, que mantém aproximação política com o grupo de Otaviano Pivetta.
Disputa pelo projeto bolsonarista
A divergência, porém, não se limita à eleição para o Governo de Mato Grosso. Coronel Fernanda tem defendido que as decisões estaduais sejam subordinadas ao projeto nacional do PL e ao fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em março, a deputada já havia reagido a declarações de Abilio sobre a possibilidade de dialogar com os dois grupos que disputavam espaço na eleição estadual. Na ocasião, afirmou que cada liderança poderia ter sua posição, mas reiterou que seguiria defendendo os interesses do PL e do grupo bolsonarista.
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