Crescimento do etanol de milho coloca florestas plantadas no centro do debate
Arefloresta destacou que o desafio agora é preservar a reputação do etanol verde brasileiro e apresentou panorama do setor na 71ª Reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Mapa

O boom do etanol de milho no Brasil está trazendo um novo personagem para o centro do debate: a floresta plantada. A Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) apresentou um panorama e os desafios do setor na 71ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas, promovida nesta quarta-feira (16) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Curitiba, e que reuniu representantes do setor florestal do país para discutir os próximos passos da cadeia. Os números apresentados ajudam a entender por que o tema ganhou espaço na pauta nacional. Segundo estimativas do Itaú BBA, a capacidade instalada de etanol de milho no Brasil saltará de 10,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros até 2030, mais que o dobro em apenas cinco anos. Em Mato Grosso, esse crescimento se reflete diretamente na demanda por biomassa florestal: com a produção atual de 8 bilhões de litros, já são necessários 259 mil hectares de florestas plantadas. Se a produção chegar a 12 bilhões de litros em 2030, como projetado, essa área precisará subir para 383 mil hectares. Por trás dos números está um desafio que vai além da produção: o mercado internacional que compra o DDG, coproduto da produção de etanol usado como ração animal e 'combustível verde' brasileiro exige rastreabilidade, critérios de governança e conformidade regulatória, inclusive na origem da biomassa florestal utilizada no processo. Para o presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, o desafio agora é atuar para preservar a reputação do etanol verde brasileiro. "O mercado internacional não compra só o litro de etanol ou a tonelada de DDG. Ele compra a história por trás daquele produto. Se Mato Grosso quer ocupar essa vitrine, a expansão da produção de etanol de milho precisa vir de mãos dadas com a floresta plantada certificada, rastreável e com origem comprovada. Não basta produzir mais biomassa: é preciso produzir com a governança que o comprador lá fora está exigindo. Essa é a nossa chance de mostrar que floresta plantada em Mato Grosso é sinônimo de sustentabilidade de ponta a ponta", comentou Fausto. Outros destaques da reunião O painel da Arefloresta dividiu espaço com outros temas para a cadeia produtiva de florestas plantadas no país. A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apresentou uma campanha institucional que celebra os 120 anos do pinus no Brasil, reforçando a importância econômica e ambiental da espécie para a base florestalno País. A reunião também trouxe atualizações sobre o manejo integrado de formigas cortadeiras e o uso de bioinsumos no setor florestal e informes da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).
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