Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Crise no Campo: Quebra de Safra e Perda de Qualidade Marcam o Cenário do Trigo Brasileiro em 2026

A safra brasileira de trigo em 2026 enfrenta um de seus anos mais desafiadores, marcada por uma expressiva queda de produção e pela degradação da qualidade dos grãos. Os dados foram o principal foco de debate no 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, evento realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) entre […]

A safra brasileira de trigo em 2026 enfrenta um de seus anos mais desafiadores, marcada por uma expressiva queda de produção e pela degradação da qualidade dos grãos. Os dados foram o principal foco de debate no 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, evento realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) entre os dias 21 e 23 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro.

Clima Extremo e Impacto na Produção De acordo com o especialista em mercado de trigo Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado, a produção nacional deve somar apenas 5,12 milhões de toneladas neste ciclo, o que representa uma drástica queda de 37% em relação ao ano anterior. Esse volume será suficiente para atender a apenas 36% do consumo interno brasileiro.

A quebra da safra foi provocada por uma combinação severa de fatores climáticos. O ciclo começou com calor intenso e seca na região do Cerrado e se agravou nas principais regiões produtoras do Sul e Sudeste, que sofreram com o excesso de chuvas no período de desenvolvimento e colheita. “Vamos fazer milagre com trigos mais fracos, mas trigos tipo 1 são raridade este ano”, destacou Bento durante o painel sobre o mercado nacional do grão. O trigo tipo 1 é o mais valorizado pela indústria, sendo essencial para a produção de pães e massas frescas.

Doenças e Queda de Qualidade no Rio Grande do Sul O cenário é particularmente crítico no Rio Grande do Sul. Índio Brasil dos Santos, sócio da Solo Corretora de Cereais e palestrante no mesmo congresso, apontou que o excesso de umidade favoreceu o aparecimento da giberela. A doença fúngica eleva os níveis de DON (uma micotoxina), limitando drasticamente o uso do cereal pela indústria alimentícia. Além disso, as chuvas contínuas comprometeram o Falling Number, um indicador de atividade enzimática fundamental para a panificação.

Como resultado, a produtividade gaúcha deve cair para 2.400 quilos por hectare (redução de mais 100 mil toneladas na produção estadual). Grande parte desse trigo de menor qualidade acabará sendo escoada para a formulação de ração animal.

O Avanço da Canola Além das intempéries climáticas, o trigo vem perdendo espaço estrutural para outras culturas, com destaque para a canola. Segundo Índio Brasil dos Santos, a área cultivada de canola no Rio Grande do Sul — estado que concentra 95% da produção nacional — cresceu 67% em 2026, saltando de 230 mil para 385 mil hectares.

Esse avanço é impulsionado pelo menor custo médio de produção da oleaginosa e pelas facilidades de financiamento via operações de barter (troca de insumos por parte da colheita). A projeção da Brascanola é que o país alcance 1 milhão de hectares da cultura até 2030, fortalecido pela criação de novas plantas de esmagamento exclusivas.

Perspectivas para 2027 O planejamento da indústria de trigo para 2027 já nasce pressionado. O desânimo atual do produtor rural em relação ao trigo é grande, o que pode levar a uma nova redução de área plantada no próximo ano. A reversão desse cenário dependerá quase exclusivamente de estímulos externos, como a alta nos preços internacionais ou contratos de exportação que garantam maior previsibilidade e rentabilidade ao agricultor.

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