O avanço dos custos de produção na pecuária de corte acendeu alerta em Mato Grosso no início de 2026. Dados do boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária apontam que o Custo Operacional Total (COT) da atividade de cria registrou alta de 2,98% no primeiro trimestre, na comparação com o consolidado de 2025.
Com o aumento, o custo médio da produção chegou a R$ 9,69 por quilo, refletindo principalmente a elevação nos gastos com depreciação e mão de obra familiar. Juntos, esses dois componentes já representam mais de 40% da estrutura de custos da atividade, indicando pressão estrutural sobre o sistema produtivo.
O avanço desses custos está ligado, em grande parte, à necessidade de manutenção de infraestrutura, reposição de ativos e maior exigência de gestão dentro das propriedades, além do peso crescente da mão de obra no campo. Esse cenário reforça o desafio do pecuarista em manter eficiência produtiva diante de despesas cada vez mais relevantes.
Mesmo com a pressão nos custos, o ambiente da atividade não é de retração. Isso porque o mercado da reposição segue aquecido, com valorização do bezerro em ritmo superior ao avanço do COT, o que tem ajudado a sustentar as margens da cria.
Ainda assim, o aumento dos custos exige maior atenção do produtor à gestão financeira e ao planejamento da atividade, principalmente em um ciclo pecuário que começa a apresentar mudanças na oferta de animais.
Na prática, o cenário já influencia decisões no campo, como a retenção de fêmeas, estratégia adotada por pecuaristas para recomposição de rebanho e aproveitamento de melhores condições de mercado. Esse movimento tende a reduzir a oferta de animais para abate no curto prazo e pode gerar reflexos nos preços ao longo do ano.