Custo da soja sobe em MT e acende alerta para rentabilidade da safra 2026/27
Alta dos gastos com fertilizantes e defensivos, crédito mais restrito e incertezas climáticas elevam preocupação dos produtores para a próxima temporada

Produzir soja em Mato Grosso ficará mais caro na safra 2026/27. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, aponta que o custeio da lavoura deve alcançar R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em comparação com o ciclo anterior. O aumento dos custos ocorre em um cenário de crédito mais restrito, margens apertadas e incertezas climáticas, fatores que elevam a cautela dos produtores na preparação para a próxima temporada.
Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), os principais responsáveis pela elevação das despesas são os fertilizantes e corretivos, que registraram aumento de 5,40%, além dos defensivos agrícolas, com avanço de 10,97%. O movimento pressiona diretamente o orçamento das propriedades em um momento em que o setor busca recuperar a rentabilidade após sucessivas safras marcadas por custos elevados.
O impacto já pode ser observado no ponto de equilíbrio da atividade. Conforme o levantamento, o volume necessário de produção para cobrir os custos aumentou 9,13% em relação à safra 2025/26, exigindo maior eficiência produtiva e atenção redobrada à gestão da lavoura.
Além do avanço dos custos, os produtores acompanham com preocupação o cenário climático para o próximo ciclo. Embora ainda não existam definições sobre o comportamento das chuvas durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras, a possibilidade de irregularidades climáticas permanece como um dos principais fatores de risco para a produtividade da soja no Estado.
Outro desafio está relacionado ao acesso ao crédito rural. Com recursos mais limitados e condições mais rigorosas para financiamento, a tendência é que parte dos produtores reduza investimentos e faça ajustes no pacote tecnológico utilizado nas lavouras. A estratégia inclui maior cautela na aquisição de insumos e no planejamento operacional da próxima safra.
Enquanto os desafios se acumulam dentro da porteira, o mercado internacional também exige atenção. Na última semana, os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CME Group) registraram queda de 2,21%. A desvalorização foi influenciada pelas boas condições climáticas observadas nas regiões produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos, que favorecem o desenvolvimento das lavouras norte-americanas e ampliam a expectativa de uma safra robusta.
Por outro lado, a valorização do dólar ajudou a limitar perdas no mercado brasileiro. A moeda norte-americana acumulou alta semanal de 1,90%, impulsionada pelo aumento da aversão ao risco global diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Em Mato Grosso, o reflexo foi uma leve recuperação nos preços da oleaginosa. O valor da soja disponível avançou 0,60% no comparativo semanal, encerrando o período com média de R$ 105,81 por saca.
Diante desse cenário, a atenção dos produtores está voltada para a compra dos insumos remanescentes da próxima safra e para as oportunidades de comercialização antecipada da produção. Com custos em alta e margens pressionadas, a estratégia de travamento de preços e planejamento financeiro ganha ainda mais importância para garantir a sustentabilidade econômica da atividade na safra 2026/27.
Mesmo mantendo a liderança nacional na produção de soja, Mato Grosso deverá enfrentar uma temporada marcada por desafios maiores para a rentabilidade. Entre custos crescentes, crédito limitado, volatilidade de mercado e riscos climáticos, o produtor inicia o planejamento da próxima safra com foco redobrado na gestão e na eficiência dentro da propriedade.
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