Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ENTENDA

Defesa abandona plenário e julgamento de Carlinhos Bezerra é adiado novamente

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O julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, foi adiado nesta terça-feira (21) após a defesa abandonar o plenário do Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá, depois que a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira rejeitou novos pedidos para suspender a sessão. Diante da saída dos advogados, a magistrada dissolveu o Conselho de Sentença, classificou a atitude como "inconcebível" e remarcou o júri para o próximo dia 31 de julho.

A decisão de remarcar o júri foi tomada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que classificou a atitude dos advogados como "inconcebível". Diante da saída da defesa, a magistrada dissolveu o Conselho de Sentença e redesignou o julgamento para o próximo 31 de julho, às 9h.

A juíza determinou que o réu constitua novos advogados. Caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá a defesa, por meio do defensor público Marcus Vinícius Esbalqueiro, que já foi intimado.

Defesa alegou cerceamento e questionou provas

Antes do início da instrução em plenário, os advogados voltaram a pedir o adiamento do julgamento, alegando a existência de diversas irregularidades processuais.

O principal argumento foi uma suposta quebra da cadeia de custódia das provas. Segundo a defesa, os celulares das vítimas continuaram registrando mensagens após os homicídios, o que, na avaliação dos advogados, comprometeria a integridade das provas e exigiria uma análise mais aprofundada antes da realização do júri.

A defesa também sustentou que havia cerceamento do direito de defesa e afirmou que não submeteria o cliente ao julgamento enquanto as questões levantadas não fossem apreciadas.

Juíza rejeitou pedidos

A magistrada negou todos os pedidos da defesa, destacando que as alegações já haviam sido analisadas durante a tramitação do processo e que os advogados tiveram tempo suficiente para apresentar questionamentos.

Sobre a suposta nova prova, Mônica Perri afirmou que a informação já constava nos autos havia bastante tempo e nunca havia sido contestada pela defesa, entendendo que a tentativa era de reabrir uma discussão já superada.

Após a negativa, todos os advogados deixaram o plenário. Sem defesa constituída, o julgamento foi encerrado e remarcado.

Ministério Público critica estratégia

Após a suspensão do júri, os promotores Élide Manzini de Campos e Vinicius Gahyva Martins criticaram duramente a atitude da defesa, classificando o abandono do plenário como uma medida meramente protelatória.

Segundo Élide Manzini, a tese sobre a quebra da cadeia de custódia não encontra respaldo no processo.

De acordo com a promotora, o registro de mensagens após a morte de Thays ocorreu porque o celular da vítima apresentava diferença na configuração do horário, circunstância já esclarecida nos autos.

Ela afirmou ainda que a defesa vem apresentando sucessivos recursos para impedir a realização do julgamento e lembrou que o júri já havia sido adiado anteriormente, no dia 7 de julho, também a pedido dos advogados.

Já o promotor Vinicius Gahyva Martins afirmou que a estratégia de abandonar o plenário após a formação do Conselho de Sentença tem sido utilizada para provocar novo adiamento e tentar obter uma composição de jurados mais favorável ao réu.

Segundo ele, todas as garantias constitucionais do acusado foram respeitadas e o processo deve ser julgado pela sociedade cuiabana.

O crime

Carlinhos Bezerra responde por feminicídio qualificado contra a ex-companheira Thays Machado e homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime foi motivado pela inconformidade do empresário com o fim do relacionamento. As investigações apontam que ele monitorava a rotina da ex-companheira mesmo após a separação.

Na manhã de 18 de janeiro de 2023, Thays e Willian aguardavam um veículo de aplicativo na calçada de um edifício, no bairro Consil, em Cuiabá, quando foram surpreendidos pelos disparos efetuados por Carlinhos Bezerra de dentro do próprio veículo.

Preso preventivamente desde então, o empresário permanece no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, e deverá voltar ao banco dos réus no próximo 31 de julho, quando o Tribunal do Júri tentará realizar o julgamento do caso.

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