Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
DEMANDA GLOBAL

Demanda por biocombustíveis impulsiona esmagamento recorde de soja nos Estados Unidos e fortalece mercado global

Expansão da produção de diesel renovável eleva consumo de óleo de soja, mantém margens favoráveis para a indústria e influencia perspectivas para produtores brasileiros

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O avanço da indústria de biocombustíveis nos Estados Unidos continua redesenhando o mercado mundial da soja. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o processamento da oleaginosa no país norte-americano atingiu um novo recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela crescente demanda por óleo de soja destinado à produção de diesel renovável e outros combustíveis de baixa emissão de carbono.

Segundo o boletim semanal do Imea, com base em informações da National Oilseed Processors Association (NOPA), os Estados Unidos processaram 35,15 milhões de toneladas de soja entre janeiro e junho de 2026, volume 13,14% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram esmagadas 31,07 milhões de toneladas. Trata-se do maior volume já registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica.

O resultado confirma uma tendência observada nos últimos anos: a soja deixou de ser impulsionada apenas pela demanda da indústria de alimentos e da exportação de grãos e passou a ocupar posição estratégica na matriz energética norte-americana.

Biocombustíveis ampliam consumo de óleo de soja

A principal explicação para o crescimento do esmagamento está na rápida expansão da produção de diesel renovável (renewable diesel) e do combustível sustentável para aviação (SAF) nos Estados Unidos.

Nos últimos anos, empresas do setor energético investiram bilhões de dólares na construção e ampliação de plantas industriais voltadas à produção desses combustíveis. Como consequência, a demanda por óleo vegetal — especialmente o óleo de soja — aumentou significativamente.

Para atender esse mercado, as indústrias ampliaram sua capacidade de processamento da oleaginosa, elevando o volume de soja esmagada e, consequentemente, aumentando também a oferta de farelo.

Esse movimento tem sido estimulado por políticas públicas norte-americanas voltadas à redução das emissões de carbono, como incentivos fiscais e programas federais que favorecem combustíveis renováveis.

Oferta maior de farelo encontra demanda aquecida

Apesar do crescimento da produção de farelo de soja decorrente do maior esmagamento, os preços internacionais continuam sustentados.

De acordo com o Imea, a demanda global pelo produto permanece firme, principalmente para alimentação animal, o que tem evitado uma pressão baixista sobre as cotações.

No encerramento do primeiro semestre de 2026, o farelo de soja apresentou preço médio de US$ 312,78 por tonelada, representando valorização anual de 6,24%.

O equilíbrio entre maior oferta e consumo aquecido demonstra que o mercado internacional continua absorvendo volumes crescentes, especialmente diante da expansão dos setores de proteína animal em diversos países.

Indústria deve manter ritmo elevado

O cenário também favorece as margens da indústria de processamento.

Com elevada procura por óleo e preços sustentados para o farelo, as esmagadoras norte-americanas continuam operando com rentabilidade considerada positiva.

Na avaliação do Imea, esse ambiente tende a manter o processamento em níveis elevados ao longo de todo o ano, consolidando 2026 como mais um período histórico para a indústria de esmagamento dos Estados Unidos.

Reflexos para o Brasil e Mato Grosso

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, o fortalecimento da indústria norte-americana representa mudanças importantes na dinâmica do mercado internacional.

Tradicionalmente, os Estados Unidos concentravam boa parte das exportações do grão in natura. Com o avanço do processamento interno, cresce a agregação de valor dentro do próprio país, reduzindo parcialmente a disponibilidade de soja para exportação e aumentando a oferta de derivados no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, o cenário amplia a concorrência entre Brasil e Estados Unidos tanto na comercialização de farelo quanto de óleo de soja.

Especialistas avaliam que a tendência também reforça a importância da industrialização da produção brasileira, especialmente em estados como Mato Grosso, que lidera a produção nacional da oleaginosa e vem ampliando investimentos na cadeia de biodiesel e no processamento interno.

Outro fator observado pelo mercado é que o crescimento da demanda por óleo pode continuar sustentando os preços internacionais da soja, beneficiando produtores brasileiros, principalmente em períodos de maior consumo global.

Mercado acompanha safra e políticas energéticas

Além do desempenho da safra norte-americana, investidores seguem atentos às decisões relacionadas à política de biocombustíveis dos Estados Unidos, que continuam sendo um dos principais fatores capazes de influenciar a demanda por óleo de soja nos próximos meses.

Caso o ritmo de expansão do diesel renovável seja mantido, analistas acreditam que a necessidade de matéria-prima continuará elevada, favorecendo o processamento industrial e sustentando os fundamentos do mercado mundial da soja.

Para o Imea, o cenário indica que o esmagamento nos Estados Unidos deverá permanecer aquecido ao longo de 2026, consolidando a influência crescente do setor de energia renovável sobre uma das principais commodities agrícolas do mundo.

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