Demanda por biodiesel nos EUA impulsiona óleo de soja e sustenta mercado brasileiro
Outro fator que ajudou a sustentar o mercado foi a valorização do petróleo Brent, que subiu 2,5% no período, aumentando a competitividade dos biocombustíveis frente aos combustíveis fósseis.

A alta do óleo de soja no mercado internacional e o avanço da demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos voltaram a dar sustentação aos preços da oleaginosa e reforçaram as perspectivas para a indústria de esmagamento no Brasil. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira mostram que o mercado reagiu às novas projeções da produção de biodiesel e diesel renovável norte-americano para 2026.
Na última semana, as cotações do óleo de soja na Bolsa de Chicago avançaram 1,13%, encerrando o período na média de US$ 75,03 por libra-peso. O movimento foi impulsionado principalmente pela revisão positiva da Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) para a produção de biodiesel e HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), combustível renovável que vem ampliando a demanda global por óleos vegetais.
Outro fator que ajudou a sustentar o mercado foi a valorização do petróleo Brent, que subiu 2,5% no período, aumentando a competitividade dos biocombustíveis frente aos combustíveis fósseis.
Enquanto o óleo ganhou força, o farelo de soja seguiu em direção oposta. Segundo o boletim do Imea, o derivado registrou queda semanal de 1,31%, cotado na média de US$ 331,70 por tonelada. A pressão negativa ocorre diante da expectativa de maior oferta global do produto, já que o aumento da demanda por óleo tende a elevar o processamento da soja e, consequentemente, ampliar a disponibilidade de farelo no mercado.
No Brasil, o cenário também refletiu nos preços internos. O indicador Cepea Paranaguá fechou a semana na média de R$ 129,76 por saca, alta de 0,37% em relação ao período anterior. Já o dólar apresentou valorização de 1,40%, encerrando cotado a R$ 5,02 na PTAX, movimento influenciado pelas preocupações do mercado com o cenário fiscal brasileiro.
Em Chicago, a soja corrente teve leve alta de 0,25%, negociada a US$ 12,03 por bushel. Conforme o Imea, o avanço foi sustentado principalmente pelo reposicionamento de traders e fundos antes do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos.
A valorização dos prêmios de exportação também chamou atenção. O prêmio de Santos avançou 28,48% na comparação semanal, alcançando 42,40 centavos de dólar por bushel, indicando maior interesse pela soja brasileira no mercado internacional.
O movimento reforça uma tendência já observada nos últimos meses: o crescimento da indústria de biocombustíveis vem aumentando a demanda por óleo de soja e estimulando o esmagamento da oleaginosa no Brasil e em Mato Grosso. O estado lidera a produção nacional de biodiesel e responde por cerca de 26% do volume produzido no país.
Além disso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou recentemente a projeção de processamento de soja no Brasil para 62,5 milhões de toneladas em 2026, o maior volume da série histórica.
Para analistas do setor, a combinação entre demanda aquecida por biodiesel, câmbio valorizado e aumento do processamento deve continuar dando sustentação ao complexo soja nas próximas semanas, mesmo diante da pressão exercida pela ampla oferta global do grão.
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