Taques revela R$ 755 milhões do governo de MT a fundos do Banco Master; depoimento tem repercussão nacional

O depoimento do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSB), à CPI do Crime Organizado no Senado, nesta quarta-feira (25), ganhou repercussão nacional, Taques detalhou supostos repasses milionários do governo estadual a estruturas ligadas ao Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, atualmente preso em investigação por fraudes financeiras.
Segundo o ex-governador, os valores envolvem empréstimos consignados e fundos de investimento que teriam recebido cerca de R$ 755 milhões desde 2023.
Entre os recursos citados estão R$ 308 milhões de um acordo tributário com a Oi S.A. e R$ 447 milhões destinados a fundos da rodovia BR-163, administrado pela estatal MTPAR por meio da concessionária Nova Rota Oeste.
Taques afirmou que os fundos Royal Capital e Lotte World, ligados ao Banco Master, teriam sido utilizados para repasses a empresas de familiares e aliados políticos do govenador Mauro Mendes (UB).
“Os fundos de investimento viraram uma espécie de ‘Disneylândia’ para lavagem de dinheiro”, declarou o ex-governador durante a sessão.
Fraudes em crédito consignado
Taques também denunciou que o Banco Master teria liderado um esquema de fraudes em empréstimos consignados, envolvendo cerca de 45 mil servidores do estado. Segundo ele, alguns aposentados chegaram a ter até 60% da renda comprometida com múltiplos contratos, com juros de 4% a 5% ao mês.
Ele explicou que as empresas utilizavam nomes semelhantes a instituições financeiras, o que poderia induzir os servidores ao erro, e que os créditos seriam posteriormente revendidos a outras instituições, como o Banco de Brasília, por valores considerados inflacionados. Uma única instituição, segundo Taques, teria cobrado quase R$ 150 milhões de servidores em apenas nove meses.
Além disso, o ex-governador levantou suspeitas sobre alterações em regras estaduais que ampliaram a margem de consignação, destacando decretos em Bahia, Mato Grosso, Roraima, Alagoas, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo e Sergipe, que apresentariam semelhanças suspeitas.
Questionamentos políticos e ausência de convocados
Durante a sessão, senadores da bancada de Mato Grosso questionaram as motivações das acusações. A senadora Margareth Buzetti lembrou da derrota de Taques para o governador Mauro Mendes nas eleições estaduais, enquanto o senador Wellington Fagundes criticou os métodos apresentados e afirmou que órgãos oficiais não chegaram às mesmas conclusões.
A CPI também registrou a ausência de Martha Graeff, convocada para depor. Segundo o presidente da comissão, Fabiano Contarato, ela poderá ser alvo de condução coercitiva caso não compareça, havendo suspeita de que esteja fora do país.
O governo de Mato Grosso foi procurado para comentar as declarações, mas não havia se manifestado até o momento.
Veja vídeos:
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