Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Deputados e senadora de MT reagem à fala de Paulo Figueiredo sobre mulheres e classificam declaração como "retrocesso"

 Parlamentares de diferentes partidos criticaram declaração do influenciador sobre o voto feminino e defenderam maior participação das mulheres na política; episódio ocorre em meio à crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro

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As declarações do jornalista e influenciador político Paulo Figueiredo, um dos principais nomes do bolsonarismo radicado nos Estados Unidos, provocaram forte repercussão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Durante entrevista concedida após a sessão desta quarta-feira (1º), deputados estaduais criticaram a afirmação de que as mulheres "votam estatisticamente muito mal", classificando a fala como preconceituosa, um retrocesso e incompatível com a participação feminina na política.

A polêmica teve início após Figueiredo comentar, em seu podcast, a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao analisar o cenário político, o influenciador afirmou que mulheres, principalmente as solteiras, "votam estatisticamente mal" e questionou o espaço ocupado por Michelle dentro do Partido Liberal.

LEIA MAIS: Flávio repudia fala de aliado e tenta proteger campanha em meio à crise com eleitorado feminino: “Completamente equivocado”

Radicado nos Estados Unidos desde 2016, Paulo Figueiredo tornou-se um dos principais comunicadores do movimento bolsonarista no exterior. Neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, último presidente do regime militar, ele mantém proximidade com a família Bolsonaro, especialmente com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem atua em articulações internacionais. Apesar da relação próxima, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que Figueiredo não integra oficialmente sua pré-campanha presidencial, embora reconheça que o aliado presta apoio político ao grupo em agendas desenvolvidas nos Estados Unidos.

A repercussão das declarações levou o próprio Flávio Bolsonaro a se manifestar publicamente. Durante encontro promovido pelo PL Mulher, o senador repudiou a fala do influenciador e afirmou que ela não representa o pensamento do partido.

"Quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Ele fez uma postagem completamente equivocada. Ele não faz parte da nossa campanha, embora seja uma pessoa que nos ajuda muito nos Estados Unidos. Minha esposa também está incluída nesse pacote de mulheres que ele disse que não sabem votar", declarou Flávio.

Na Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, Max Russi (Podemos), defendeu igualdade de direitos entre homens e mulheres e afirmou que declarações discriminatórias não têm espaço na sociedade.

"Não existe mais diferença e não pode existir diferença nenhuma entre homem e mulher. A mulher tem que ocupar todos os espaços que ela tenha o desejo de ocupar. Todo mundo tem capacidade de fazer as melhores escolhas. O importante não é o sexo, mas quem representa bem a população. Qualquer discriminação ou fala preconceituosa está totalmente errada com o momento em que a gente vive", afirmou.

Para o deputado Valdir Barranco (PT), a declaração de Paulo Figueiredo evidencia uma visão patriarcal dentro do grupo político ligado à família Bolsonaro. Segundo ele, as críticas direcionadas a Michelle Bolsonaro revelam dificuldades históricas para que mulheres ocupem posições de protagonismo.

"Não havia nenhuma hipótese, em uma família patriarcal, de uma mulher assumir a liderança. Ainda mais uma mulher que não é do DNA da família. Se algum dia alguém pensou que ela teria algum espaço de protagonismo nesse projeto, ela não teria. Agora aquelas diferenças que ficavam dentro de casa acabaram extravasando", avaliou.

O deputado Carlos Avallone (PSDB) também criticou o influenciador e avaliou que a declaração pode gerar desgaste político para o campo conservador, especialmente entre o eleitorado feminino.

"Esse Paulo Figueiredo é aquele que está lá nos Estados Unidos ao lado do Eduardo Bolsonaro. A fala é um dos maiores absurdos que você possa escutar. E ela, somada às declarações da Michelle Bolsonaro sobre a forma como vem sendo tratada, é muito ruim para a candidatura da direita. Eles podem perder um eleitorado importante. Desta vez, não dá nem para dizer que a frase foi tirada de contexto. Eles quiseram dizer exatamente o que disseram", afirmou.

Avallone também defendeu uma reação firme das mulheres diante de declarações consideradas discriminatórias e relacionou o episódio aos índices de violência contra a mulher registrados em Mato Grosso.

"As mulheres têm que se posicionar claramente sobre qualquer assunto que fale delas. Mato Grosso está entre os estados com maiores índices de violência contra a mulher. Precisamos combater esse tipo de discurso. Homens também precisam apoiar essa luta para mudar essa realidade absurda", concluiu.

A a suplente de senadora Margareth Buzetti também se manifestou por meio das redes sociais e cobrou que se respeite a democracia.

"Como é fácil atacar mulheres. Covarde é isso que vocês são", disse

"Quem tenta desqualificar a participação feminina na política não combate ideias. Combate pessoas. Respeitar a democracia também é respeitar o direito das mulheres de participar dela em igualdade de condições".

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