Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Desembargadora do TRT-MT relata episódio de racismo estrutural em supermercado de Cuiabá

Em vídeo publicado na internet, a magistrada contou que havia saído para caminhar pela manhã e decidiu passar em um supermercado da Capital, quando foi abordada por uma cliente que, segundo ela, presumiu que fosse funcionária do estabelecimento.

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A desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), relatou nas redes sociais um episódio que classificou como reflexo do racismo estrutural durante uma ida a um supermercado de Cuiabá, no último domingo (17).

Em vídeo publicado na internet, a magistrada contou que havia saído para caminhar pela manhã e decidiu passar em um supermercado da Capital, quando foi abordada por uma cliente que, segundo ela, presumiu que fosse funcionária do estabelecimento.

De acordo com Adenir, a mulher insistiu em pedir informações sobre setores e localização de mercadorias dentro do mercado.

“Caminhando entre as gôndolas, fui abordada insistentemente por uma senhora que queria informações sobre produtos e sobre a localização dos produtos. Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la”, afirmou.

Ao comentar o episódio, a desembargadora afirmou que a situação evidencia como pessoas negras ainda são associadas, de forma automática, a posições de subordinação e serviço.

“Ela agiu pela lógica. A lógica que o senso comum brasileiro internalizou: o lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder”, declarou.

A magistrada também refletiu sobre a forma como mulheres negras são percebidas socialmente, independentemente da posição profissional que ocupam.

“Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal”, disse.

Cotada em 2023 para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Adenir afirmou que o episódio vai além da atitude individual da mulher que a abordou no supermercado.

“O problema não é aquela mulher no supermercado. É a lógica que ela, sem saber, reproduz”, concluiu.

A publicação repercutiu nas redes sociais e ampliou o debate sobre racismo estrutural e a presença de pessoas negras em espaços de poder no Brasil.

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