Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
MERCADO DO BOI

Diferença da arroba entre Mato Grosso e São Paulo aumenta com pressão das exportações

agro/ pecuária

A diferença de preços da arroba do boi gordo entre Mato Grosso e São Paulo voltou a aumentar em julho, refletindo a desaceleração das compras por frigoríficos exportadores e as incertezas em torno da demanda da China, principal destino da carne bovina produzida no Estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, até a terceira semana do mês, o diferencial entre as duas principais praças pecuárias do país atingiu o maior nível das últimas semanas.

Segundo o boletim semanal do Imea, o Diferencial de Base (DB) entre Mato Grosso e São Paulo chegou a -6,26%, avanço de 1,18 ponto percentual em relação ao mesmo período de junho. O indicador mostra que a arroba do boi gordo em Mato Grosso perdeu valor em ritmo mais acelerado do que na principal praça de referência do país.

No mercado mato-grossense, a arroba foi negociada, em média, a R$ 311,52, registrando desvalorização de 7,94% na comparação mensal. Em São Paulo, a cotação média ficou em R$ 332,32 por arroba, com queda de 6,78%, considerando os preços livres de Funrural.

Dependência das exportações amplia os impactos

A maior diferença entre as duas praças está diretamente ligada ao perfil das exportações de Mato Grosso.

Maior produtor de bovinos do Brasil, o Estado também figura entre os principais exportadores de carne bovina do país, tendo a China como seu principal mercado consumidor.

Nos últimos meses, porém, o comércio internacional passou a acompanhar com maior cautela as discussões sobre possíveis medidas de salvaguarda para as importações de carne bovina pela China. Embora o país asiático permaneça como o maior comprador mundial da proteína, as incertezas quanto ao ritmo das compras levaram frigoríficos exportadores a reduzir a intensidade das aquisições de animais terminados.

Esse movimento contribuiu para a queda dos preços da arroba, especialmente em estados cuja produção depende mais das exportações, como Mato Grosso.

Oferta elevada também pressiona as cotações

Além do cenário externo, a atual fase do ciclo pecuário brasileiro continua favorecendo uma maior oferta de animais para abate.

Após um período de retenção de matrizes, a disponibilidade de bovinos terminados aumentou em diversas regiões produtoras, ampliando a oferta justamente em um momento de maior cautela por parte das indústrias frigoríficas.

Com escalas de abate mais confortáveis, os frigoríficos reduziram a necessidade de disputar animais no mercado, diminuindo o poder de negociação dos pecuaristas e mantendo pressão sobre as cotações.

Mercado futuro aponta expectativa de recuperação

Apesar da fraqueza observada no mercado físico, os contratos futuros negociados na B3 indicam uma perspectiva mais otimista para os próximos meses.

De acordo com o Imea, o contrato BGIN26, com vencimento em julho de 2026, registrou valorização semanal de 1,33%, encerrando o período cotado, em média, a R$ 334,29 por arroba.

O desempenho do contrato sinaliza expectativa de recuperação parcial dos preços, sustentada por uma possível retomada das exportações e pelo fortalecimento da demanda ao longo do segundo semestre.

Outras categorias também registram queda

A pressão sobre os preços também atingiu outros segmentos da pecuária de corte em Mato Grosso.

Segundo levantamento do Imea, o preço médio da novilha recuou 0,31% na comparação semanal, sendo negociado a R$ 11,10 por quilo.

Já a carcaça casada do boi, referência importante para o mercado atacadista, apresentou retração de 0,83%, encerrando a semana cotada, em média, a R$ 23,84 por quilo, mantendo a trajetória de desvalorização observada nas últimas semanas.

Exportações continuarão determinando o mercado

A evolução das exportações deve seguir como o principal fator para a formação dos preços da arroba nos próximos meses.

Caso a China mantenha um ritmo consistente de importações e não adote medidas que restrinjam significativamente a entrada da carne bovina brasileira, a tendência é de maior estabilidade nas cotações. Por outro lado, uma eventual desaceleração das compras tende a produzir impactos mais intensos em Mato Grosso, em razão da elevada participação do mercado chinês nas exportações estaduais.

Na avaliação do Imea, o comportamento do mercado externo continuará sendo determinante para a rentabilidade da pecuária mato-grossense, reforçando a forte influência das exportações sobre a formação dos preços da arroba no Estado.

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