Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
ALFREDO DA MOTA MENEZES

Diretas Já

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Dia 25 de abril passado fez 42 anos da derrota da Emenda Diretas Já

Dia 25 de abril passado fez 42 anos da derrota da Emenda Diretas Já na Câmara dos Deputados. Foram 298 votos a favor e 65 contra. Precisava para ser aprovada de 320 votos. Faltaram apenas 22 votos. É preciso registrar ainda que 113 deputados não compareceram a votação. É aquele que acreditava na proposta, mas, medrosamente, não queria se indispor com o regime militar.

A proposta para eleição direta para presidente foi de um deputado federal de Mato Grosso: Dante de Oliveira. Ela também ficou conhecida como emenda Dante de Oliveira, aqui e nacionalmente. Dante, de um momento para outro, virou nome nacional. Estava junto com as maiores lideranças do país que estavam na oposição.

A emenda foi derrotada, mas ela deu o gás que faltava para imprensar o regime militar. Antes da votação milhares, talvez seja melhor dizer milhões de pessoas, em diferentes lugares, saíram às ruas para pedir a volta de eleições livres e diretas para presidente. O regime militar sentiu o baque.

A próxima eleição indireta para presidente ocorreu logo, mas desta vez, mesmo com os militares no controle do governo, foram dois civis para a disputa: Tancredo Neves pela oposição e Paulo Maluf do lado do governo militar. Ganhou Tancredo, muitos aliados do governo, ao verem algo diferente no horizonte, votaram a favor de Tancredo no tal Colégio Eleitoral. Tancredo, no dia da posse, teve grave problema de saúde e veio a falecer. Assumiu seu vice, José Sarney. Ele era antigo aliado do sistema ditatorial e, na última hora, abandonou o barco e, coisas do destino, acabou na presidência no lugar do Tancredo.

Muitos não sabem detalhes do que foi a ditadura no Brasil. Foi um coisa ruim para a vida democrática nacional. Alguns exemplos: não se elegia presidente da república. Era escolhido num montado colégio eleitoral que obedecia aos militares. Foram escolhidos ali para dirigirem o país os seguintes generais: Castelo Branco, Costa e Silva, Emilio Médice, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

O presidente assim nomeado é que escolhia os governadores dos estados e os governadores, não eleitos, indicavam os prefeitos de capitais e das cidades de fronteiras, como Cáceres no caso do Mato Grosso. Um terço dos senadores também eram nomeados pelo regime militar e não eleitos.

O regime acabou com os antigos partidos políticos e criam dois Arena e MDB. Nas eleições para deputados e vereadores, o MDB foi crescendo, derrotando em tantos lugares os candidatos da Arena que eram governistas.

Frente a essa situação o regime militar tomou a inciativa de abrir a porteira, através de lei específica, para se ter no país quantos partidos se quisesse com o intuito de atrapalhar o crescimento do MDB. Essa enorme trapalhada machuca o Brasil até hoje. Se tem nas disputas 33 partidos em condições de terem candidatos. Uma balburdia partidária incrível.

Enfim, um cuiabano, Dante de Oliveira, em 1984, quase botou fogo no país com as diretas já. Não passou naquele momento, mas abriu a porteira para eleição a presidente em 1989. Começou outra história na vida nacional.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Mega Diário!

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