Disputa pelo governo de MT já reúne oito pré-candidatos
Os nomes buscam viabilizar suas candidaturas, ampliar alianças e consolidar espaço político até o período decisivo de julho.

A pouco mais de três meses das convenções partidárias, Mato Grosso já registra oito pré-candidatos ao governo do Estado, em um cenário que começa a ganhar contornos mais definidos antes do início oficial da campanha eleitoral. Os nomes buscam viabilizar suas candidaturas, ampliar alianças e consolidar espaço político até o período decisivo de julho.
As convenções partidárias estão marcadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026, quando partidos e federações irão oficializar candidaturas e possíveis coligações. Já o prazo final para registro na Justiça Eleitoral se encerra em 15 de agosto.
O primeiro turno das eleições está previsto para 4 de outubro, com eventual segundo turno no dia 25.
Disputa aberta pelo Palácio Paiaguás- veja nomes
Até o momento, oito nomes já se colocam como pré-candidatos ao Palácio Paiaguás, representando diferentes espectros políticos e trajetórias. O Mega Diário apresenta, a seguir, os nomes e perfis em ordem alfabética. Confira:
Alex Puccinelli (Democrata 35)
lex Puccinelli (Democrata 35) , autodeclarado terceira via, anunciou sua pré-candidatura ao governo de Mato Grosso pelas redes sociais, onde compartilha ideais conservadores, cristãos e pró-família. Em busca de uma estrutura partidária, Pucineli até chegou a abrir conversas com o ex-presidente da Aprosoja e liderança do agronegócio, Antonio Galvan. O objetivo era uma possível filiação ao Avante. No entanto, os planos não avançaram.
Jayme Campos (União Brasil)
Jayme Campos (União Brasil), mantém a pré-candidatura mesmo diante de divergências internas no partido. Isso porque o presidente da sigla no estado, o ex-governador Mauro Mendes, já declarou publicamente apoio a govenador Otaviano Pivetta (Republicanos), que acabou de assumir o Estado. Por outro lado, Mendes afirmou que apoiaria a reeleição de Jayme ao senador caso desista do Paiaguás.
Jayme é um dos nomes da política tradicional mato-grossense. Ex-prefeito de Várzea Grande por três mandatos, ex-governador de Mato Grosso, e senador em seu segundo mandato, defende que tem experiência política para comandar o Estado novamente.
Marcelo Maluf (Novo)
O empresário Marcelo Maluf (Novo) surge como nome do setor empresarial, defendendo uma gestão alinhada à direita liberal. Maluf deixou o PSDB e oficializou sua entrada no partido Novo em Mato Grosso. Durante o ato de filiação, em Brasília, o presidente nacional da sigla, Eduardo Ribeiro, formalizou o convite para que o fundador do Grupo São Benedito seja pré-candidato do partido ao governo do Estado nas eleições de outubro.
Maluf detém uma das maiores construtoras do Centro-Oeste e opera no ramo imobiliário. O empresário disse que há interesse em contribuir com o projeto político do Novo, que classificou como um “partido de direita”, alinhado aos seus ideais.
Maurício Tonhá (Democracia Cristã)
Empresário rural e ex-prefeito de Água Boa (MT) por dois mandatos, Maurício Tonhá foi convidado a ser candidato ao governo de Mato Grosso pelo partido Democracia Cristã (DC) nas eleições deste ano. Seu nome foi anunciado durante evento do partido em 2025 e conta com apoio de uma ala de políticos de direita e autodeclarados “bolsonaristas raiz”.
De feirante em Brasília a fundador da Estância Bahia Leilões, é reconhecido como o homem que realiza o maior leilão de bovinos do mundo, o Mega Leilão de Água Boa.
Natasha Slhessarenko (PSD)
A médica Natasha Slhessarenko (PSD) Migrou do PSB para o PSD de Carlos Fávaro no ano passado, que tem se alinhado com a esquerda mato-grossense junto da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).
Natasha nunca ocupou cargo eletivo e se lançou na política em 2022, durante pré-campanha ao Senado, porém teve a candidatura inviabilizada poucos meses antes da eleição.
Nas redes sociais, ela se apresenta como pré-candidata ao Governo de Mato Grosso, e tenta se firmar como alternativa no campo mais à esquerda.
Otaviano Pivetta (Republicanos)
Recém empossado govenador de Mato Grosso, após a renuncia de Mauro Mendes (UB), do cargo para concorrer ao Senado. Gaúcho do Rio Grande do Sul radicado em Mato Grosso desde a década de 1980, Otaviano Pivetta (Republicanos) defende sua pré-candidatura como meio de continuidade do modelo de gestão adotado desde 2019, quando os dois foram eleitos.
Pivetta é produtor rural, foi eleito três vezes prefeito da cidade de Lucas do Rio Verde (MT) assumindo o cargo pela primeira vez em 1997 e encerrando em 2016, quando saiu com mais de 80% de aprovação da população.
Também foi deputado estadual pelo estado, onde trabalhou em prol do desenvolvimento regional e na luta pela modernização do estado. Filiou-se ao Republicanos em março de 2022 para concorrer à reeleição ao cargo na mesma chapa de Mauro Mendes.
A coligação venceu às eleições em primeiro turno recebendo 1.114.549 votos totais, 68,45% dos votos válidos apurados. Ele assumiu o comando do Paiaguás em 1° de abril de 2026.
Rafaell Milas (Partido Missão)
Rafaell Milas (Partido Missão), autodeclarado anti-sistema, é analista político e produtor de conteúdo para internet. Milas confirmou que é pré-candidato ao governo pelo Partido Missão, sigla recém-criada e oriundo do Movimento Brasil Livre (MBL). Recentemente o ex-deputado federal e fundador do Missão, Arthur Do Val, esteve em Cuiabá para evento e oficializou a pré-candidatura do colega.
Milas aposta no discurso anti-sistema e na comunicação digital para ganhar visibilidade.
Wellington Fagundes (PL)
Wellington Fagundes (PL) representa o campo mais à direita, com apoio nacional do partido e alinhamento ao bolsonarismo, apesar de enfrentar resistências internas no estado.
Médico veterinário nascido em Rondonópolis, Fagundes tem uma longa trajetória parlamentar, com 24 anos de atuação na Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado. Exerceu seis mandatos consecutivos como deputado federal (1991–2015) antes de ser eleito senador em 2014 e reeleito em 2022 com 63,54% dos votos válidos.
Como senador, tem adotado um discurso mais duro contra o Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa do agronegócio e a favor da investigação contra os desvios no INSS.
Oficializado pelo Partido Liberal (PL) como o pré-candidato da sigla ao governo de Mato Grosso, Fagundes está no espectro político mais à direita. No entanto, enfrenta uma resistência interna dentro da própria sigla, pois parte dos filiados, principalmente prefeitos das principais cidades de MT declaram apoio a Pivetta.
Contudo, em uma articulação em Brasília, Fagundes conseguiu apoio do seu partido nacionalmente, com o anúncio e apoio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, e do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.
Cenário em formação
O cenário ainda é considerado aberto, com articulações em andamento e possibilidade de mudanças até as convenções. Internamente, partidos trabalham para viabilizar candidaturas competitivas, definir alianças e evitar fragmentação excessiva.
A tendência é que, nas próximas semanas, o jogo político se intensifique, com negociações de bastidores, definição de palanques e consolidação de blocos ideológicos que devem marcar a disputa pelo comando do Estado a partir de 2027.
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