Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
CASO RENATO NERY

Empresária teria pago R$ 215 mil para mandar matar advogado em Cuiabá

ranato nery

A Polícia Civil identificou R$ 215 mil em movimentações financeiras relacionadas ao pagamento pela execução do advogado Renato Nery, assassinado em julho de 2024 em Cuiabá. Segundo as investigações, o dinheiro teria sido transferido pela empresária Julinere Goulart Bastos, apontada como uma das suspeitas de mandar matar o advogado.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (13) e reforçam a tese de que o crime foi premeditado e financiado, com uso de intermediários e transferências fracionadas para ocultar a origem dos recursos.

De acordo com as investigações, a empresária realizou uma transferência inicial de aproximadamente R$ 200 mil no dia 4 de março de 2024. A partir desse repasse, o dinheiro passou por diversas contas de terceiros em uma sequência de operações que, segundo a polícia, teve o objetivo de dificultar o rastreamento do pagamento pelo crime.

A análise bancária revelou um encadeamento de transações financeiras realizadas poucos dias após o primeiro repasse.

No dia 5 de março de 2024, parte dos recursos foi usada para a compra de um veículo Mercedes-Benz avaliado em cerca de R$ 115 mil, registrado em nome de terceiro. Ainda na mesma data, R$ 40 mil foram transferidos para a mãe de um dos investigados.

Já em 6 de março, o restante do valor foi encaminhado para a conta do próprio investigado envolvido na intermediação. Dois dias depois, em 8 de março, foi identificado um novo pagamento direto de R$ 15 mil realizado pela suspeita apontada como mandante a outro investigado.

Somadas, as movimentações alcançaram R$ 215 mil, montante que, segundo os investigadores, coincide com os relatos colhidos durante os depoimentos.

Além das análises financeiras, um dos envolvidos prestou depoimento no dia 12 de março de 2024, confirmando a dinâmica do pagamento pelo assassinato, o que reforçou as evidências obtidas com o rastreamento bancário.

Segundo a polícia, os investigados também teriam adotado estratégias típicas de ocultação de recursos, utilizando contas de terceiros e transferências fracionadas — indícios que podem configurar lavagem de dinheiro, crime que também passou a ser investigado no caso.

Crime de mando

Com base no conjunto de provas reunidas — incluindo movimentações bancárias, depoimentos e diligências investigativas — a Polícia Civil concluiu que o homicídio possui características de crime de mando, quando há pagamento para a execução de um assassinato.

Entre os investigados apontados na apuração estão:

  • César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos — apontados como mandantes

  • Alex Roberto de Queiroz Silva — identificado como o atirador

  • Heron Teixeira Pena Vieira — sargento da Polícia Militar apontado como intermediador

  • Ícaro Nathan Santos Ferreira — policial militar investigado por fornecer a arma

  • Jackson Pereira Barbosa — policial militar investigado por coordenar pagamentos

Outros policiais militares também são investigados por suposta participação na tentativa de forjar um confronto envolvendo a arma utilizada no crime, entre eles:

  • Wailson Alessandro Medeiros Ramos

  • Wekcerlley Benevides de Oliveira

  • Leandro Cardoso

  • Jorge Rodrigo Martins

Execução do advogado

O advogado Renato Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, na capital mato-grossense. Segundo a investigação, o atirador já aguardava a vítima nas proximidades e fugiu em uma motocicleta após efetuar os disparos.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o advogado caminha até a entrada do prédio, é atingido e cai na calçada.

A vítima chegou a ser socorrida e passou por cirurgia em um hospital particular de Cuiabá, mas morreu horas depois do procedimento.

Desde então, a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa tem reunido provas técnicas, perícias e depoimentos para esclarecer a execução.

Com o rastreamento do fluxo financeiro e a identificação dos envolvidos, a Polícia Civil considera que o caso avançou significativamente,

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