Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
ENTENDA

Entregadores por aplicativo paralisam atividades e protestam por aumento da taxa mínima em Cuiabá

Categoria aderiu à mobilização nacional nesta sexta-feira (31) e cobra reajuste da remuneração mínima por entrega; grupo percorreu ruas da capital durante manifestação

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Entregadores por aplicativo da região metropolitana de Cuiabá aderiram, nesta sexta-feira (31), à paralisação nacional da categoria e realizaram uma manifestação pelas ruas da capital para cobrar melhores condições de trabalho e reajuste na remuneração paga pelas plataformas digitais. A mobilização teve início na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde os trabalhadores desligaram os aplicativos antes de seguir em carreata por diferentes regiões da cidade.

A principal reivindicação da categoria é o aumento da taxa mínima por entrega. Segundo os trabalhadores, o valor pago atualmente pelas plataformas gira em torno de R$ 3,50, quantia considerada insuficiente para cobrir os custos da atividade. Os entregadores defendem que a remuneração mínima seja fixada em R$ 10 por entrega.

Após a concentração na UFMT, os manifestantes percorreram vias da Capital e passaram pela região do Jardim Aclimação, nas proximidades de um shopping center, com o objetivo de chamar a atenção da população para as reivindicações da categoria.

Um dos organizadores do ato, João Gabriel Patriota Muniz, afirmou que o aumento dos custos operacionais tornou inviável a manutenção da atividade com os valores atualmente pagos pelas plataformas.

"A manutenção dos pneus, a manutenção da moto, a gasolina e até a alimentação ficaram mais caras. Um salgado hoje custa R$ 8, e a nossa taxa mínima é de R$ 3. Não tem como a gente permanecer nesses valores", declarou.

Segundo os trabalhadores, além da revisão da taxa mínima, a categoria busca uma remuneração que acompanhe a inflação e os gastos com combustível, manutenção dos veículos, equipamentos de segurança e alimentação durante a jornada de trabalho.

Propostas em discussão

A mobilização ocorre enquanto o Congresso Nacional discute propostas para regulamentar a atividade dos entregadores por aplicativo.

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados prevê remuneração mínima de R$ 8,50 por entrega em trajetos de até três quilômetros para deslocamentos motorizados ou até quatro quilômetros para entregas realizadas a pé, de bicicleta ou motocicleta. A proposta também estabelece a possibilidade de remuneração por hora trabalhada, com valor mínimo de R$ 14,74 por hora.

Já a proposta apresentada pelo governo federal prevê remuneração mínima de R$ 10 por entrega, acrescida de R$ 2,50 por quilômetro percorrido após a distância inicial estabelecida.

Empresas contestam mudanças

Representantes das plataformas de entrega afirmam que as divergências vão além da definição de um valor mínimo por entrega. Segundo as empresas, as propostas em discussão no Congresso Nacional e pelo governo federal podem aumentar os custos da operação e comprometer a sustentabilidade do modelo de negócios, com reflexos para consumidores, comerciantes e trabalhadores.

A paralisação desta sexta-feira integra um movimento nacional organizado por entregadores de aplicativos em diversas cidades brasileiras. A categoria busca pressionar as plataformas e o poder público por mudanças nas regras de remuneração e por melhores condições de trabalho, enquanto as propostas seguem em debate no Congresso Nacional.

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