Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Estreia de Erika Hilton na Comissão da Mulher tem bate-boca, disputa de pauta e acusação entre parlamentares

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A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados realizou nesta quarta‑feira (18) a primeira reunião após a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL‑SP) como presidente do colegiado, marcada por intensos embates entre parlamentares governistas e de oposição. O clima tenso entre as deputadas refletiu divergências sobre pautas, acusações de autoritarismo e disputas ideológicas que ganharam repercussão política imediata.

Debate e ataques durante sessão

O encontro começou com a presidente da comissão informando que vários requerimentos apresentados por integrantes do colegiado não foram incluídos na pauta por “critérios técnicos”, o que gerou críticas de deputadas da oposição que lamentaram a forma como as propostas foram tratadas. Entre os pedidos rejeitados estava uma moção de repúdio contra falas da própria presidente, apresentada por parlamentares contrárias à sua eleição.

O ponto mais contundente da sessão se deu em um confronto direto entre as deputadas Fernanda Melchionna (PSOL‑RS) e Clarissa Tércio (PP‑PE). Clarissa reclamou de ser rotineiramente acusada de transfobia por afirmar que Hilton não a representava na presidência da comissão. “É um absurdo a gente ficar sendo chamado de transfóbico o tempo todo aqui. Transfobia é crime (…) mas não podemos ser calados. Nossa opinião tem que ser exposta aqui”, afirmou, defendendo seu direito de expressão.

Em resposta, Melchionna criticou as declarações sem citar nomes inicialmente, classificando‑as como uma “expressão da transfobia”. “A sua fala é expressão da transfobia. Uma fala criminosa que passa impune, pelo menos no discurso. Nós queremos trabalhar pelas mulheres brasileiras e não implodir esta comissão”, disse a deputada do PSOL. Ao ser questionada se se referia a Clarissa, Melchionna confirmou e as duas iniciaram uma discussão acalorada no plenário.

Repercussão e clima político

Apesar de não ser a única polêmica da reunião, o embate entre as parlamentares dominou os debates e evidenciou as tensões internas no colegiado recém‑assumido por Hilton. A sessão contou com a presença da Polícia Legislativa da Câmara, que montou um esquema reforçado de segurança “para serenar ânimos”, em um indicativo de que a expectativa por confrontos era alta entre deputados e observadores.

Além de discussões sobre ordem de pauta, parlamentares de oposição criticaram a condução dos trabalhos, acusando Hilton de “ideologizar” o cargo. Por outro lado, aliados da presidente ressaltaram que o foco principal da comissão deve ser pautar projetos de interesse das mulheres brasileiras e buscar consensos antes de votações.

Novo ciclo de debates na comissão

Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão da Mulher em 11 de março, com 11 votos a favor, tornando‑se a primeira mulher trans a ocupar o cargo na história do Congresso Nacional — um marco histórico que também tem sido objeto de debates políticos e sociais mais amplos.

Parlamentares favoráveis à nova gestão afirmam que a comissão deve abordar pautas como combate à violência contra a mulher, proteção dos direitos humanos e inclusão social, enquanto parte da oposição segue crítica à forma como os temas estão sendo tratados no colegiado recém‑instalado.

A repercussão dos embates registra tanto apoio quanto críticas nas redes sociais e entre correntes políticas, antecipando que a atuação da comissão sob a gestão de Hilton seguirá sob forte escrutínio público e político nos próximos meses.

(Com informações Metrópoles)

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