Ex-deputado e dois empresários são alvos de operação contra fraude de R$ 58 milhões no agro

O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul, Sérgio Pereira Assis, e os empresários Mário Sérgio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso foram identificados como os principais alvos daOperação Agro-Fantasma, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Civil de Mato Grosso. A ação mira um grupo empresarial suspeito de aplicar fraudes milionárias na compra e revenda de grãos na região oeste do Estado.
Segundo a investigação, eles são apontados como responsáveis pelas empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria, utilizadas, conforme a Polícia Civil, para viabilizar o esquema.
Durante as diligências, os investigadores apreenderam US$ 6.300 (cerca de R$ 33 mil) em espécie, além de uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões. Também foram recolhidos documentos e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em inquérito conduzido pela Delegacia de Comodoro, que apura os crimes de estelionato e associação criminosa.
Os mandados foram executados em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande.
De acordo com a Polícia Civil, as empresas se apresentavam como empreendimentos sólidos no setor do agronegócio, mas operavam um esquema de compra fraudulenta de grãos, gerando prejuízos milionários a produtores rurais.
Como funcionava o golpe
Conforme a investigação, o grupo convencia produtores a emprestar o nome de suas propriedades para a realização de compras de grãos a prazo, sob a promessa de que o pagamento seria feito pelas empresas investigadas.
Os produtos eram revendidos à vista para grandes indústrias. No início, os compromissos financeiros eram honrados, o que fortalecia a credibilidade do grupo. Após alguns meses, porém, os pagamentos deixaram de ser feitos.A inadimplência ultrapassa R$ 58 milhões.
Além do suposto golpe na compra de grãos, o grupo também é investigado por fraude fiscal e recebimento indevido de créditos tributários.
Patrimônio de luxo
Entre os bens sequestrados judicialmente estão imóveis de alto padrão, veículos importados — como Porsche e Dodge Ram — e a aeronave avaliada em R$ 5,8 milhões.
Segundo a Polícia Civil, apesar das dívidas milionárias acumuladas, os investigados mantinham padrão de vida elevado, com residências em condomínios de luxo e alto nível de consumo.
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