Expectativa de maior oferta global derruba cotações do milho

O mercado internacional do milho registrou nova rodada de pressão sobre os preços na última semana, influenciado pelo bom andamento do plantio da safra norte-americana e pela expectativa de aumento da oferta global do cereal. O movimento já começa a refletir no Brasil, com queda das cotações de referência e recuo da paridade de exportação.
De acordo com análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o contrato corrente do milho negociado na Bolsa de Chicago (CME Group) apresentou desvalorização de 3,32% na comparação semanal. O principal fator por trás da queda foi o avanço da semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos, que segue em ritmo considerado favorável pelo mercado.
Os Estados Unidos são o maior produtor e exportador mundial de milho. Quando as condições climáticas e o desenvolvimento das lavouras indicam potencial para uma grande safra, os investidores tendem a reduzir os prêmios de risco, pressionando as cotações internacionais.
Além do cenário norte-americano, o mercado acompanha as perspectivas para a produção na América do Sul. A expectativa de uma oferta robusta de milho no Brasil e na Argentina também contribui para ampliar a disponibilidade global do cereal e limitar movimentos de alta nos preços.
Exportação perde força
O reflexo mais direto para o produtor brasileiro apareceu na paridade de exportação. Segundo o Imea, a referência para julho de 2026 recuou 4,54% na comparação semanal.
A paridade de exportação é um indicador importante porque mostra quanto o comprador internacional estaria disposto a pagar pelo milho brasileiro considerando os preços globais, câmbio, frete e custos logísticos. Quando ela recua, diminui a capacidade de sustentação dos preços internos.
O movimento ocorre justamente em um momento em que Mato Grosso se aproxima do pico da colheita da segunda safra, período marcado pelo aumento da oferta e pela necessidade de escoamento da produção.
Mercado brasileiro acompanha movimento externo
No mercado doméstico, os preços também registraram queda, embora em intensidade menor.
O indicador Cepea, referência para a região de Campinas (SP), apresentou retração semanal de 0,46%, encerrando o período cotado a R$ 65,06 por saca.
A desvalorização mais moderada no Brasil reflete fatores internos que ainda oferecem sustentação ao mercado, como a demanda das indústrias de etanol de milho, do setor de proteína animal e das exportações já contratadas para os próximos meses.
Mesmo assim, analistas acompanham com atenção o comportamento das cotações internacionais, uma vez que a confirmação de uma grande safra norte-americana pode ampliar a pressão sobre os preços globais no segundo semestre.
Mato Grosso monitora cenário
Para os produtores mato-grossenses, o foco permanece dividido entre o avanço da colheita e as oportunidades de comercialização da safra.
Embora o cenário internacional tenha se tornado mais baixista nas últimas semanas, a demanda externa segue sendo um fator importante para o escoamento da produção brasileira. Além disso, o crescimento da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste tem contribuído para ampliar o consumo doméstico do cereal.
Ainda assim, o mercado deve continuar sensível às informações sobre o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, consideradas atualmente o principal fator de formação de preços no cenário global.
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