Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Faissal quebra o silêncio, exibe documentos e rebate suspeitas da PF sobre venda de sentenças

FAISSAL

O deputado estadual Faissal Calil (PL), quebrou o silêncio sobre as suspeitas da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o deputado contestou a narrativa de que seria um “operador” de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Em sua versão, o parlamentar aponta que sua inclusão no inquérito se baseia em interpretações fora de contexto de sua atuação profissional.

A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, investiga um suposto esquema de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo decisões judiciais em Mato Grosso.

Entre os principais alvos está o desembargador afastado Dirceu dos Santos. Segundo a PF, Faissal é investigado por supostamente atuar como operador em um processo de reintegração de posse envolvendo uma área rural localizada no município de Cláudia.

Na gravação publicada nas redes sociais, o deputado apresentou contrato de honorários, notas fiscais e documentos processuais para sustentar que foi contratado legalmente pelo ex-prefeito e atual vereador de Cláudia, Vilmar Gianchini (MDB), também alvo da operação.

“Fui alvo de busca e apreensão em minha residência por defender o direito de propriedade de um cliente que teve sua área injustamente invadida”, afirmou.

Faissal também procurou afastar a suspeita de que sua atuação no processo teria relação com sua antiga ligação profissional com Dirceu dos Santos.

“Sou advogado, tenho 25 anos de formação, sou especialista em Direito Agrário, tenho mais de 400 processos habilitados no Tribunal de Justiça e mais de 150 no STJ. Essa é a minha profissão”, disse.

“Em janeiro de 2023 fui contatado pelo seu Vilmar Gianchini. Fechamos o contrato e fui habilitado no processo em fevereiro, inclusive com pagamento do meu pró-labore e nota fiscal. Tudo declarado. Naquela ocasião, o relator era o doutor Luiz Carlos da Costa. Não existia Dirceu. Meu cliente me procurou como advogado especialista em Direito Agrário e não como ex-assessor do desembargador Dirceu”, acrescentou.

Segundo o parlamentar, a disputa judicial envolve uma área de aproximadamente seis mil hectares adquirida pela Industrial Madeireira S.A. ainda na década de 1980. No vídeo, ele reconstrói o histórico do conflito e afirma que a propriedade foi alvo de sucessivas invasões ao longo dos anos, dando origem a uma longa batalha judicial.

De acordo com Faissal, o proprietário da área obteve decisões favoráveis em diferentes instâncias e o caso passou por diversos julgamentos colegiados.

“O processo foi redistribuído e sorteado para uma das Câmaras de Direito Privado. Participaram do julgamento três desembargadores que deram provimento ao recurso. Os invasores recorreram ao STJ, perderam. Recorreram ao STF. Houve novo julgamento. São mais de nove acórdãos e decisões colegiadas com posições diversas. Não houve no processo uma decisão monocrática”, afirmou.

A denúncia que deu origem à Operação Gemini foi apresentada por Paulo Sérgio Borges Aragão, presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, em Cláudia. Segundo a acusação encaminhada às autoridades, teria ocorrido o pagamento de R$ 1 milhão para favorecer a Industrial Madeireira em uma decisão relacionada ao processo.

Faissal contestou a acusação e afirmou que o caso já foi analisado anteriormente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Inclusive, a mesma denúncia alvo dessa operação já foi objeto de reclamação disciplinar no CNJ, a qual foi julgada improcedente e arquivada”, declarou.

Mensagens com Zampieri

Outro ponto explorado pela Polícia Federal envolve conversas entre Faissal e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023. O conteúdo encontrado no celular de Zampieri deu origem às investigações que apuram um suposto esquema de venda de sentenças no Judiciário mato-grossense.

Segundo a PF, uma das mensagens indicaria que uma decisão favorável já estaria alinhada antes do julgamento de um processo relacionado à disputa de terras. Faissal, no entanto, afirma que a conversa não tinha qualquer relação com a ação investigada.

“As mensagens dos Zampieri não têm nada a ver com esse processo. Diz respeito a outro litígio de terras, onde as partes buscavam acordo para evitar a judicialização”, disse.

O deputado exibiu uma notificação enviada pelo cliente de Zampieri ao seu cliente e afirmou que os dois lados tentavam chegar a um entendimento extrajudicial.

“Infelizmente não houve acordo e o processo foi interposto em 2024, onde eu figuro como advogado da parte ré”, explicou.

Rolex e fuzil

Durante a manifestação, Faissal também voltou a contestar a associação de seu nome aos objetos apreendidos durante a operação. Na semana passada, a Polícia Federal confirmou a apreensão de um relógio Rolex, armas, munições e itens de luxo, mas não informou a quem pertencia cada objeto recolhido.

“Não tem Rolex. Nunca tive Rolex. O fuzil não é lá de casa também. Foi de dentro do Alphaville que foi encontrado isso aí. Não foi na minha casa”, afirmou.

O parlamentar reiterou que, em sua residência, os agentes apreenderam apenas seu telefone celular e que colaborou integralmente com a investigação.

“O que me traz estranheza é vincular o meu nome a Rolex, fuzil, a algo que eu não fiz, justamente às vésperas de uma eleição. Mas eu estou aqui muito tranquilo, colaborei com as investigações e confio no trabalho da Polícia Federal”, concluiu.

A Operação Gemini é um desdobramento das investigações originadas após a morte de Roberto Zampieri e segue sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra os investigados.

Assista vídeo:

 

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