Família de Moraes triplicou patrimônio em 266% em cinco anos, diz jornal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, voltaram a ocupar as manchetes dos principais jornais do Brasil nesta segunda-feira (6), após a revelação de que a família adquiriu R$ 23,4 milhões em imóveis entre 2021 e 2025, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com a apuração, o casal soma atualmente 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões, com base em valores registrados em cartório. O crescimento patrimonial é expressivo: desde 2017, quando Moraes assumiu o cargo no STF, os bens imobiliários teriam aumentado 266%, saindo de R$ 8,6 milhões.
Um dos pontos que mais chamaram atenção foi o fato de que parte significativa das aquisições recentes teria sido feita à vista, incluindo imóveis em áreas nobres como o Lago Sul, em Brasília, e bairros valorizados de São Paulo, como o Jardim América, além de uma propriedade em Campos do Jordão.
Segundo a reportagem, muitas dessas compras foram realizadas por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa que tem como sócios a esposa do ministro e os dois filhos do casal. Embora Moraes não figure formalmente na sociedade, o regime de comunhão parcial de bens faz com que o patrimônio adquirido após o casamento integre o conjunto familiar.
O salário de um ministro do STF é de aproximadamente R$ 46 mil mensais, valor que representa o teto do funcionalismo público. Moraes também recebeu, nos últimos anos, pagamentos adicionais — os chamados “penduricalhos” — relacionados a verbas retroativas. Ainda assim, o volume e a forma das aquisições reacenderam questionamentos sobre a evolução patrimonial de autoridades públicas.
Até o momento, nem o gabinete do ministro nem a defesa da família haviam se manifestado sobre o levantamento.
Pressão por explicações
A repercussão do caso foi imediata e ampliou a pressão por maior transparência envolvendo membros do Judiciário, especialmente do STF. Embora não haja indicação formal de irregularidade, especialistas apontam que a exposição pública de dados patrimoniais exige esclarecimentos detalhados para afastar dúvidas e preservar a credibilidade institucional.
O episódio reforça um debate recorrente no país: a necessidade de ampliar mecanismos de controle e fiscalização sobre o patrimônio de agentes públicos — inclusive daqueles que ocupam os mais altos cargos da República.
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