Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
RISCO À SAÚDE

Fiscalização encontra cal de construção civil sendo usada para tratar água em Acorizal; veja vídeos

Funcionários afirmaram que o material vinha sendo utilizado no tratamento; produto foi interditado e uma unidade apreendida para perícia

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A Polícia Civil, a Vigilância Sanitária Estadual e o Procon de Mato Grosso encontraram, nesta terça-feira (18), sacos de cal hidratada destinada à construção civil dentro de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) de Acorizal, a 59 quilômetros de Cuiabá. Segundo funcionários ouvidos durante a fiscalização, o produto vinha sendo utilizado no tratamento da água distribuída à população.

Vídeos registrados durante a ação mostram os produtos encontrados e posteriormente apreendidos no local. O material deverá passar por perícia para verificar sua composição e confirmar as condições de utilização.

A fiscalização foi realizada após uma requisição da 6ª Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Cuiabá, que recebeu denúncia de que a concessionária responsável pelo abastecimento de água do município estaria utilizando cal hidratada comum, comercializada para a construção civil, no processo de tratamento da água destinada ao consumo humano.

Durante a inspeção, equipes da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Vigilância Sanitária Estadual e do Procon localizaram diversos sacos do produto dentro da estação.

Questionados pelos fiscais e policiais, funcionários afirmaram que a cal era utilizada no tratamento da água. Eles disseram, porém, que o produto não havia sido utilizado nesta terça-feira porque, segundo eles, a água apresentava boa qualidade.

Fabricante confirma que produto é para construção civil

Os fiscais analisaram as informações técnicas presentes nas embalagens e entraram em contato com o fabricante, localizado em Nobres, na região médio-norte de Mato Grosso.

À equipe de fiscalização, a empresa informou que não fabrica nem comercializa cal destinada ao tratamento de água para consumo humano. Segundo o fabricante, o material encontrado na ETA é destinado exclusivamente à construção civil.

A informação aumentou a preocupação das autoridades, já que produtos utilizados no tratamento de água potável precisam atender a requisitos específicos de qualidade e segurança.

Diante da constatação, a Vigilância Sanitária Estadual interditou todo o material encontrado na estação, impedindo que os sacos continuassem sendo utilizados. A Polícia Civil também apreendeu uma unidade do produto, que será encaminhada para análise pericial.

A direção da concessionária responsável pelo serviço foi formalmente notificada de que o material não poderia continuar sendo empregado no tratamento da água distribuída aos moradores.

Delegado alerta para possível risco à saúde

O delegado Rogério Gomes, titular da Decon, explicou que a cal pode, de fato, ser utilizada em determinados processos de tratamento de água, mas somente quando se trata de produto próprio e autorizado para essa finalidade.

O problema, segundo ele, está na utilização de material destinado à construção civil.

A preocupação é que esse tipo de produto possa apresentar metais pesados e outras impurezas que não atendam aos parâmetros exigidos para substâncias empregadas no tratamento de água destinada ao consumo humano.

A eventual presença desses componentes e os possíveis riscos decorrentes da utilização do produto serão avaliados no decorrer da investigação e por meio das análises técnicas.

Polícia Civil vai investigar concessionária

Após a fiscalização, a Polícia Civil informou que vai instaurar um inquérito policial para apurar se a concessionária vinha utilizando de forma recorrente a cal destinada à construção civil no tratamento da água fornecida aos moradores de Acorizal.

A investigação deverá buscar esclarecer há quanto tempo o produto era utilizado, em quais condições, quem determinou sua utilização e se a água tratada com o material chegou efetivamente à população.

Também será apurada eventual responsabilidade dos gestores da concessionária caso seja confirmado que houve fornecimento de água tratada com produto inadequado para consumo humano.

Neste momento, a fiscalização identificou a presença do material na estação e recebeu dos funcionários a informação de que ele era utilizado no tratamento. A investigação e os exames periciais deverão apontar a extensão do uso e as eventuais consequências.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Veja vídeo:

   

Galeria

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