Flávio Bolsonaro diz que vai aos EUA defender Pix, após enviar dossiê ao país

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (4) que viajará aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública em Washington e afirmou que irá "defender o Pix" diante da investigação comercial aberta pelo governo norte-americano. Durante evento do Partido Liberal (PL), no Rio de Janeiro, o parlamentar voltou a criticar a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas relações comerciais com os Estados Unidos e acusou o governo federal de não proteger os interesses das empresas brasileiras.
"Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso Pix, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para empresas brasileiras. E é o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos", afirmou Flávio durante um seminário interno do partido voltado à comunicação política.
A viagem ocorre em meio à investigação conduzida pelo Office of the United States Trade Representative, órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos. O escritório abriu uma apuração para analisar se medidas adotadas pelo Brasil, entre elas o sistema de pagamentos instantâneos Pix, estariam causando prejuízos ou criando desvantagens competitivas para empresas americanas do setor financeiro.
Flávio está inscrito para participar da audiência pública marcada para a próxima terça-feira (7), em Washington. O encontro integra a fase de consultas da investigação conduzida pelo governo norte-americano, que reúne manifestações de representantes do setor privado e de autoridades interessadas no tema.
Documento foi enviado ao governo americano
Um dia antes de confirmar a viagem, o senador encaminhou ao governo dos Estados Unidos um documento no qual apresenta propostas voltadas ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
No material, Flávio defende o Pix e afirma que o sistema representa um avanço tecnológico para o mercado financeiro brasileiro. O parlamentar também rebate as alegações de que a ferramenta prejudicaria empresas americanas, argumentando que o próprio sistema financeiro dos Estados Unidos conta com um mecanismo semelhante, o FedNow, desenvolvido pelo Federal Reserve System para realizar pagamentos instantâneos.
Apesar da defesa do sistema brasileiro, o senador propõe um compromisso legislativo para que o Pix não seja conectado, futuramente, a sistemas internacionais de liquidação financeira classificados por ele como "não ocidentais", em referência à China. Atualmente, o Pix opera apenas em transações realizadas dentro do território brasileiro.
Propostas comerciais
Além da defesa do sistema de pagamentos, o documento enviado por Flávio apresenta sugestões para ampliar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Entre elas estão a eliminação de tarifas para o etanol americano, a redução da carga tributária incidente sobre empresas de cartões de crédito e a busca por novos acordos bilaterais de comércio e investimentos.
O senador também defende que o Brasil tenha maior liberdade para negociar acordos comerciais diretamente com outros países, argumentando que o Mercosul limita esse tipo de negociação. Como exemplo, cita o posicionamento do presidente da Argentina, Javier Milei, que tem defendido maior flexibilidade nas regras do bloco.
No documento, Flávio ainda afirma que uma eventual confirmação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos representaria uma "vitória política" para o governo Lula.
Pix volta ao centro da disputa política
A investigação americana também reacendeu a disputa política em torno do Pix. Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em novembro de 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o sistema tornou-se alvo de embates entre governistas e oposição.
Em junho, Flávio Bolsonaro exibiu um cartaz com a frase "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!", um dia após Lula levantar outro com a inscrição "O Pix é do Brasil!" durante um evento público. Na ocasião, o presidente chamou o senador de "traidor da pátria" e "imbecil", intensificando a disputa política em torno de um dos principais instrumentos de pagamento utilizados pelos brasileiros.
Agora, além do embate interno, o Pix passa a integrar uma discussão comercial entre Brasil e Estados Unidos, tema que deverá ser debatido na audiência pública em Washington com a participação do senador.
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