Flávio Bolsonaro envia carta a Marco Rubio contra tarifaço e critica política externa de Lula

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou nesta terça-feira (2) o envio de uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não avance com a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelo desgaste na relação entre Brasília e Washington e afirmou que a medida pode causar prejuízos à economia nacional.
A manifestação ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abrir um processo que poderá resultar na aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A proposta faz parte de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e ainda deverá passar por audiências públicas antes de uma decisão final do presidente Donald Trump.
Na carta encaminhada a Marco Rubio, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com os impactos econômicos que uma eventual taxação poderá causar ao setor produtivo brasileiro. O senador argumenta que o país enfrenta dificuldades econômicas e fiscais, citando o crescimento da dívida pública, o aumento da inadimplência entre famílias e empresas e a alta nos pedidos de recuperação judicial.
“O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica”, afirmou o parlamentar no documento.
Ao comentar o assunto em suas redes sociais, Flávio disse que já havia tratado do tema pessoalmente durante viagem recente aos Estados Unidos, quando participou de reuniões com integrantes do governo norte-americano. Segundo ele, o pedido foi para que eventuais divergências políticas não resultem em prejuízos para trabalhadores e empresas brasileiras.
O senador também aproveitou a carta para reforçar seu posicionamento político para as eleições presidenciais deste ano. No texto, ele afirma acreditar na vitória da oposição em outubro e sustenta que uma eventual mudança de governo poderá reconstruir as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O tema também mobilizou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio. Pelas redes sociais, Eduardo comentou a possibilidade de novas tarifas e voltou a criticar a política externa adotada pelo governo Lula, argumentando que declarações e posicionamentos recentes do Palácio do Planalto contribuíram para o aumento das tensões com Washington.
A movimentação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro provocou reação do governo federal. Em declarações públicas, Lula acusou integrantes da oposição de atuarem junto a autoridades estrangeiras contra os interesses do Brasil e afirmou que a defesa de medidas que possam prejudicar a economia nacional representa uma postura incompatível com os interesses do país.
A possível aplicação da tarifa de 25% elevou a temperatura do debate político em Brasília e passou a integrar a disputa eleitoral. Enquanto o governo federal busca evitar o avanço da medida por meio de negociações diplomáticas, a oposição atribui o impasse à condução da política externa brasileira.
Caso a sobretaxa seja confirmada pelo governo norte-americano, setores ligados ao agronegócio, à indústria e às exportações poderão ser diretamente afetados, aumentando a pressão sobre o Planalto em um momento decisivo da corrida presidencial.
Veja vídeo:
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