Flávio Bolsonaro mobiliza multidão em MT e reforça aliança com o agro

A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Norte Show 2026, em Sinop, nesta quarta-feira (22), evidenciou o peso político do agronegócio na corrida presidencial. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, ele foi recebido por um público estimado em cerca de 30 mil pessoas, segundo a organização do evento, uma das principais vitrines do setor no país.
A agenda incluiu visita a estandes, interação com apoiadores e reuniões com produtores rurais e lideranças do setor. Em meio ao ambiente favorável, o senador buscou consolidar o vínculo histórico do bolsonarismo com o agronegócio — segmento que teve papel decisivo na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Flávio esteve acompanhado por uma ampla comitiva política, incluindo o governador em exercício Otaviano Pivetta, os senadores Wellington Fagundes e Jayme Campos, além do ex-governador Mauro Mendes e do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi. Prefeitos e parlamentares também integraram a mobilização, reforçando o caráter político do ato.
Discurso alinhado ao bolsonarismo
No palanque montado dentro da feira, Flávio adotou um tom alinhado ao discurso do pai, especialmente ao tratar da política indigenista. Em fala direcionada ao público rural, afirmou que, em um eventual governo de seu grupo político, não haverá novas demarcações de terras indígenas.
A declaração retoma uma diretriz aplicada entre 2019 e 2022, período em que não houve homologação de novas terras indígenas no país. O tema segue como um dos principais pontos de tensão entre representantes do agronegócio e setores ligados à pauta ambiental e indígena.
Acenos ao setor produtivo
Além do discurso político, o senador apresentou propostas voltadas ao fortalecimento do agronegócio. Entre elas, destacou a ampliação das linhas de crédito do Plano Safra com juros mais baixos, facilitação de financiamentos e redução de burocracias.
Flávio também afirmou que pretende enfrentar a chamada moratória da soja — acordo firmado entre empresas e entidades para restringir a compra do grão produzido em áreas desmatadas da Amazônia — levando o debate ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na pauta ambiental, o pré-candidato criticou o que classificou como uso “ideológico” do tema e defendeu que o papel do governo seja o de não interferir negativamente na produção.
Estratégia eleitoral
A presença na Norte Show faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com o setor produtivo, especialmente em estados como Mato Grosso, que têm forte influência econômica e política no agronegócio nacional.
O evento também serviu como termômetro de mobilização política e demonstração de força regional, em um cenário em que o apoio do campo continua sendo considerado peça-chave para projetos eleitorais de alcance nacional.
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