O pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), repudiou nesta quarta-feira (1º) as declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre o eleitorado feminino e buscou afastar qualquer vínculo entre a campanha e o discurso do aliado. A reação ocorre em um momento considerado estratégico para o PL, que tenta ampliar a aceitação de Flávio entre as mulheres, segmento em que o senador enfrenta maior resistência nas pesquisas de intenção de voto.
Durante um evento com mulheres conservadoras, em Brasília, Flávio classificou como "completamente equivocada" a declaração de Figueiredo, que afirmou que "mulher vota muito mal".
"Eu quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele falou. Completamente equivocado."
O senador também fez questão de desvincular o influenciador de sua pré-campanha.
"Ele não faz parte da nossa campanha."
Segundo Flávio, Paulo Figueiredo auxilia em interlocuções com integrantes do governo norte-americano, mas isso não significa que represente o pensamento da campanha ou fale em seu nome.
"Eu não tenho a responsabilidade sobre o que ele fala, mas tenho obrigação de falar aqui e eu me senti ofendido com a fala a partir do momento que ele generaliza e fala das mulheres, inclusive da fala da minha esposa."
Declaração ampliou desgaste
Paulo Figueiredo, jornalista, influenciador conservador e neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, afirmar durante uma transmissão na internet que mulheres, especialmente as solteiras, "votam estatisticamente muito mal". Na mesma transmissão, ele também fez críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e utilizou expressões ofensivas ao comentar a reação de mulheres às suas declarações.
O episódio ganhou repercussão justamente porque atingiu um dos pontos mais sensíveis da estratégia eleitoral do senador. Levantamentos divulgados nos últimos meses mostram que Flávio Bolsonaro enfrenta maior dificuldade para conquistar o eleitorado feminino. Em um dos cenários de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem entre as mulheres, enquanto a disputa é mais equilibrada entre os homens.
Crise com Michelle aumenta desafio
A polêmica também ocorre na esteira da crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Na última semana, a ex-primeira-dama afirmou ter sido "humilhada" e "desrespeitada" por Flávio, expondo um conflito interno na família Bolsonaro. Na terça-feira (30), Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, alegando que passará a dedicar mais tempo à família.
A saída de Michelle é considerada um revés para a estratégia eleitoral do senador. Reconhecida como uma das principais lideranças da direita entre mulheres e evangélicos, ela era vista como peça importante para reduzir a resistência do eleitorado feminino ao nome de Flávio.
Em análise publicada nesta quinta-feira (2), a Reuters destaca que o rompimento público entre Michelle e Flávio expõe justamente uma das maiores fragilidades da pré-campanha do senador: a dificuldade histórica do bolsonarismo em ampliar sua presença entre as mulheres. Segundo a agência, analistas avaliam que a perda do apoio direto da ex-primeira-dama tende a dificultar esse movimento, especialmente em um cenário no qual o voto feminino pode ser decisivo para a disputa presidencial.
Ciente desse cenário, Flávio afirmou que pretende intensificar o diálogo com esse segmento do eleitorado, mas ressaltou que isso não será feito por meio de ataques às mulheres.
"A gente precisa melhorar a comunicação para mostrar às mulheres que as pautas da direita são favoráveis a elas. Isso não vai acontecer acusando as mulheres de não saberem votar."
A declaração foi interpretada como uma tentativa de conter os efeitos políticos da fala de Paulo Figueiredo e preservar a estratégia da pré-campanha voltada à ampliação do apoio feminino, considerado um dos principais desafios do senador na corrida ao Palácio do Planalto.
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