Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
VEJA MAIS

Governo exonera secretário investigado por importunação sexual

Design sem nome

O Governo de Mato Grosso exonerou o secretário-adjunto Leomindo de Arruda Maciel Júnior, conhecido como “Júnior Cuiabano”, após ele ser indiciado por importunação sexual. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (29) e também atingiu outras quatro servidoras ligadas ao gabinete onde ocorreu a denúncia.

Ao todo, 15 servidores da Secretaria-Adjunta de Cerimonial e Eventos e da Superintendência de Eventos foram desligados. Desses, dez foram reabsorvidos pela Secretaria de Estado de Comunicação. Ficaram de fora da reestruturação o então secretário-adjunto, a vítima da denúncia e outras três servidoras vinculadas a ela.

Em nota, o governo afirmou que as exonerações fazem parte de uma reorganização administrativa no Palácio Paiaguás, com o objetivo de otimizar a máquina pública. As mudanças incluem a redução de cargos nas áreas de cerimonial e do gabinete militar, além da transferência da Secretaria-Adjunta de Cerimonial da Casa Civil para a Secretaria de Comunicação.

“O Governo de Mato Grosso está reorganizando a estrutura interna de Secretarias Adjuntas da Casa Civil, no Palácio Paiaguás. As mudanças têm o objetivo de otimizar a máquina pública, garantindo a manutenção dos serviços”, diz trecho da nota oficial.

Denúncia de assédio

De acordo com o documento policial, a vítima começou a trabalhar na Casa Civil em setembro de 2025. O primeiro episódio de assédio teria ocorrido em dezembro do mesmo ano, durante um evento, quando o então secretário-adjunto teria demonstrado interesse pessoal e oferecido benefícios financeiros.

Segundo o relato, ele sugeriu repassar “gordurinha de contrato” caso mantivessem um relacionamento. Nos meses seguintes, ainda conforme o depoimento, o investigado passou a enviar mensagens pessoais, fazer comentários sobre a aparência da vítima e abordar temas íntimos, gerando constrangimento.

Em outro episódio, durante um evento, ele teria colocado um fone de ouvido na bolsa da servidora como presente. O objeto foi devolvido posteriormente ao superior imediato.

A vítima relatou ainda que, após recusar as investidas, passou a sofrer represálias, como aumento da carga de trabalho e posterior exclusão de escalas. Também afirmou que o secretário insinuava a terceiros que os dois mantinham um relacionamento, o que foi negado por ela.

Segundo o depoimento, mensagens continuaram sendo enviadas fora do horário de expediente. A servidora informou que registrou prints das conversas por receio da situação e que buscou apoio interno, sem sucesso.

Diante do cenário, ela procurou a polícia, solicitou medida protetiva e formalizou a denúncia. O caso foi encaminhado à Justiça e tramita sob sigilo no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, em Cuiabá.

Relacionadas