Hugo Garcia é afastado da Aprofir e do Imafir após operação investigar suposto desvio de R$ 1 milhão

O suplente de deputado estadual e candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Hugo Henrique Garcia (PSDB), foi afastado do cargo de presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT) e do Instituto Mato-Grossense do Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT) por determinação judicial da juíza da 10ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá. A informação é dos próprios institutos.
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Hugo Garcia foi um dos alvos da Operação Mandato Espúrio, deflagrada pela Polícia Civil no último dia 25 de agosto, que investiga movimentações financeiras irregulares superiores a R$ 1 milhão nas contas da entidade.
Por meio nota as instituições, afirmaram que passam por um processo de reestruturação administrativa. Dentro desse processo, o contrato com Afrânio Cesar Migliari, que também foi alvo da operação, foi rescindido em maio de 2026, antes da ação policial. A partir dessa data, segundo o comunicado, ele deixou de exercer a função de diretor executivo das entidades.
Ainda conforme o documento, as decisões administrativas estão sendo tomadas de forma colegiada pelos diretores que integram as respectivas diretorias, seguindo os estatutos sociais e decisões proferidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
As entidades afirmam também que todas as decisões estão sendo formalmente registradas em atas das diretorias. Os documentos, segundo o comunicado, permanecem à disposição dos associados e deverão passar por auditorias independentes, além de receber pareceres dos conselhos fiscais e serem posteriormente submetidos à apreciação e deliberação das Assembleias Gerais.
Apesar das mudanças administrativas, a Aprofir e o Imafir ressaltam que as atividades das entidades permanecem em pleno funcionamento, em conformidade com seus objetivos estatutários e em benefício dos associados.
O comunicado foi assinado pelos vice-presidentes Leandro Lodea e Henrique Pérola, além dos diretores Renato Nascimento Araújo, Marcos Antônio Vimercati, Rodrigo Wesley S. Borges e Gisele Cristina Schneider.
Hugo concorre neste ano a deputado estadual. Na eleição de 2022, quando estava filiado ao Republicanos, ficou como suplente e chegou a assumir temporariamente uma cadeira na ALMT em setembro de 2024.
Relembre o caso
O suplente de deputado estadual e candidato ao cargo, Hugo Henrique Garcia (PSDB), ex-presidente do Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT), são alvos da Operação Mandato Espúrio, deflagrada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Ele e o ex-diretor do instituto, Afrânio Migliari, são suspeitos de movimentar irregularmente mais de R$ 1 milhão das contas do Imafir-MT.
De acordo com a Polícia Civil foram identificados aproximadamente R$ 774 mil em transferidos para a conta pessoal de Afrânio e para uma empresa de propriedade dele. Também foi localizada uma transferência de R$ 270 mil para um escritório de advocacia, cujo nome não foi divulgado.
As movimentações financeiras ocorreram, segundo a investigação, em meio a uma disputa relacionada à representação legal do instituto. Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados e a suspensão do acesso às contas do Imafir-MT.
Durante o cumprimento das ordens judiciais na residência de Hugo Garcia, os policiais apreenderam relógios de luxo, joias, uma arma de fogo com munições, celulares e um computador da Apple.

Entre os objetos estão quatro relógios da marca Rolex. Um deles é um Datejust 41, avaliado em até R$ 96 mil. Também foram apreendidos um Rolex Deepsea, que pode chegar a R$ 556 mil; um Submariner Date “Starbucks”, estimado entre R$ 75 mil e R$ 110 mil; e um Datejust 31, avaliado em cerca de R$ 46,3 mil.
Os policiais também recolheram anéis e uma pulseira.
Histórico
Hugo Garcia já ocupou a presidência do Imafir-MT e, em 2024, chegou a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso como suplente do deputado Valmir Moretto (Republicanos).
Afrânio Migliari foi secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) durante a gestão do ex-governador Blairo Maggi. Em 2010, ele foi alvo da Operação Jurupari, da Polícia Federal, que investigou crimes relacionados à extração e ao comércio ilegal de madeira em Mato Grosso.
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