Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
LEVANTAMENTO

Imea prevê safra menor de soja em MT com impacto do clima e custos altos

Segundo o levantamento, a área destinada à oleaginosa deve atingir 13,04 milhões de hectares, alta de 0,25% em relação ao ciclo 2025/26.

SOJA/CHUVA

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou a primeira projeção para a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso, apontando recuo na produtividade e na produção, mesmo com leve aumento da área plantada no estado.

Segundo o levantamento, a área destinada à oleaginosa deve atingir 13,04 milhões de hectares, alta de 0,25% em relação ao ciclo 2025/26. O avanço mais moderado reflete o cenário de preços mais baixos da soja e custos de produção ainda elevados, fatores que pressionam a rentabilidade do produtor. Além disso, as condições de financiamento mais restritas e as taxas de juros elevadas têm limitado a expansão sobre novas áreas.

Em relação à produtividade, a estimativa inicial é de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43% frente à safra anterior. O recuo está associado, principalmente, às incertezas climáticas. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), há cerca de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no início do desenvolvimento das lavouras, o que pode provocar irregularidade nas chuvas em Mato Grosso.

Com menor rendimento, a produção total foi projetada em 48,88 milhões de toneladas, retração de 5,19% em comparação com a safra anterior. Apesar da queda, o volume ainda representa a terceira maior produção da série histórica do instituto.

OFERTA E DEMANDA

A oferta total de soja no estado para a safra 26/27 foi estimada em 49,53 milhões de toneladas, redução de 4,47% na comparação anual. A queda acompanha a menor produção, influenciada pelo cenário de incertezas e possível redução no nível de investimentos nas lavouras.

Do lado da demanda, o consumo total está projetado em 49,39 milhões de toneladas, recuo de 3,54% frente ao ciclo anterior. Desse volume, 13,65 milhões de toneladas devem ser consumidas dentro do estado, enquanto 5,23 milhões seguem para outros estados.

As exportações de soja mato-grossense foram estimadas em 30,51 milhões de toneladas, queda de 4,98% na comparação entre safras, reflexo direto da menor disponibilidade do grão.

Já o estoque final deve cair de forma mais acentuada, com previsão de 140 mil toneladas ao fim da safra, retração de 78,46% em relação ao ciclo anterior.

MERCADO

Na última semana, os principais indicadores da soja registraram leve alta. O preço médio em Mato Grosso ficou em R$ 103,68 por saca, avanço de 0,82%, enquanto a paridade de exportação para março de 2027 foi cotada a R$ 107,23 por saca.

No mercado internacional, o contrato corrente na Bolsa de Chicago foi negociado a US$ 11,81 por bushel. O farelo de soja apresentou alta de 1,85%, influenciado por incertezas na oferta global, após rejeições de cargas da Argentina pela União Europeia.

O dólar, por sua vez, fechou a R$ 4,99, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado interno.

CENÁRIO

O início das projeções para a safra 26/27 indica um ambiente mais desafiador para o produtor mato-grossense, com margens pressionadas, clima incerto e menor perspectiva de produção. Ainda assim, o estado segue como principal polo produtor do país e mantém volumes expressivos, mesmo diante das adversidades.

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