Imea prevê safra menor de soja em MT com impacto do clima e custos altos
Segundo o levantamento, a área destinada à oleaginosa deve atingir 13,04 milhões de hectares, alta de 0,25% em relação ao ciclo 2025/26.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou a primeira projeção para a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso, apontando recuo na produtividade e na produção, mesmo com leve aumento da área plantada no estado.
Segundo o levantamento, a área destinada à oleaginosa deve atingir 13,04 milhões de hectares, alta de 0,25% em relação ao ciclo 2025/26. O avanço mais moderado reflete o cenário de preços mais baixos da soja e custos de produção ainda elevados, fatores que pressionam a rentabilidade do produtor. Além disso, as condições de financiamento mais restritas e as taxas de juros elevadas têm limitado a expansão sobre novas áreas.
Em relação à produtividade, a estimativa inicial é de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43% frente à safra anterior. O recuo está associado, principalmente, às incertezas climáticas. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), há cerca de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no início do desenvolvimento das lavouras, o que pode provocar irregularidade nas chuvas em Mato Grosso.
Com menor rendimento, a produção total foi projetada em 48,88 milhões de toneladas, retração de 5,19% em comparação com a safra anterior. Apesar da queda, o volume ainda representa a terceira maior produção da série histórica do instituto.
OFERTA E DEMANDA
A oferta total de soja no estado para a safra 26/27 foi estimada em 49,53 milhões de toneladas, redução de 4,47% na comparação anual. A queda acompanha a menor produção, influenciada pelo cenário de incertezas e possível redução no nível de investimentos nas lavouras.
Do lado da demanda, o consumo total está projetado em 49,39 milhões de toneladas, recuo de 3,54% frente ao ciclo anterior. Desse volume, 13,65 milhões de toneladas devem ser consumidas dentro do estado, enquanto 5,23 milhões seguem para outros estados.
As exportações de soja mato-grossense foram estimadas em 30,51 milhões de toneladas, queda de 4,98% na comparação entre safras, reflexo direto da menor disponibilidade do grão.
Já o estoque final deve cair de forma mais acentuada, com previsão de 140 mil toneladas ao fim da safra, retração de 78,46% em relação ao ciclo anterior.
MERCADO
Na última semana, os principais indicadores da soja registraram leve alta. O preço médio em Mato Grosso ficou em R$ 103,68 por saca, avanço de 0,82%, enquanto a paridade de exportação para março de 2027 foi cotada a R$ 107,23 por saca.
No mercado internacional, o contrato corrente na Bolsa de Chicago foi negociado a US$ 11,81 por bushel. O farelo de soja apresentou alta de 1,85%, influenciado por incertezas na oferta global, após rejeições de cargas da Argentina pela União Europeia.
O dólar, por sua vez, fechou a R$ 4,99, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado interno.
CENÁRIO
O início das projeções para a safra 26/27 indica um ambiente mais desafiador para o produtor mato-grossense, com margens pressionadas, clima incerto e menor perspectiva de produção. Ainda assim, o estado segue como principal polo produtor do país e mantém volumes expressivos, mesmo diante das adversidades.
Relacionadas

Giro do Boi na B3: Confira os ajustes futuros da arroba e a referência para Mato Grosso hoje (04/11)

Consumo doméstico deve frear disparada da arroba em 2027, apesar de oferta restrita, projeta Rabobank

Puxada por Mato Grosso, produção brasileira de soja deve bater recorde de 184,95 milhões de toneladas, projeta StoneX

Brasil abre mercado em Bangladesh e Colômbia para pecuária

Demanda aquecida impulsiona trigo em Chicago; soja e milho recuam com avanço da colheita nos EUA

