Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CONDOMÍNIO BELVEDERE

Jardineiro acusa juiz de ameaça em condomínio de Cuiabá; magistrado nega

De acordo com o registro policial, o juiz teria se incomodado com o barulho do trabalho e se dirigido ao local para reclamar.

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Um jardineiro que prestava serviço no Condomínio Belvedere, em Cuiabá, registrou boletim de ocorrência nesta quinta-feira (5) relatando ter sido ameaçado pelo juiz Wladymir Perri, titular da 2ª Vara Criminal de Várzea Grande. O caso teria ocorrido por volta das 8h, enquanto o trabalhador realizava um serviço em uma residência vizinha à do magistrado, na quadra 12 do condomínio.

De acordo com o registro policial, o juiz teria se incomodado com o barulho do trabalho e se dirigido ao local para reclamar. Conforme a versão apresentada pelo jardineiro, o magistrado teria ido até um veículo estacionado na garagem de sua residência e retornado portando uma arma de fogo, aproximando-se e apontando o objeto em sua direção enquanto exigia que o barulho fosse interrompido.

A ocorrência foi encaminhada para apuração do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), unidade responsável por investigar casos envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função. Em nota, a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) informou que tomou conhecimento do episódio e que adotará as providências necessárias para verificar os fatos.

“A Corregedoria-Geral da Justiça tomou conhecimento do caso por meio da imprensa. Diante disso, irá adotar as medidas necessárias para apurar a veracidade da ocorrência e a eventual conduta do magistrado. Todo procedimento, se instaurado, seguirá o devido processo legal, com garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório”, informou o órgão.

Outro lado

Em nota pública, a defesa do juiz Wladymir Perri contestou a narrativa apresentada no boletim de ocorrência e afirmou que o magistrado não portava arma de fogo no momento da abordagem.

Segundo o advogado, o jardineiro realizava serviço para um vizinho e o magistrado apenas buscou dialogar para reduzir o barulho que estaria causando incômodo em sua residência. A defesa sustenta que o juiz não saiu de dentro de sua propriedade e que não houve contato físico entre as partes.

“O Dr. Wladymir Perri é, neste episódio, a vítima e não o agressor, como se pretendeu fazer crer a partir de um registro unilateral junto à delegacia”, afirma a nota.

Ainda conforme o posicionamento da defesa, o objeto que o magistrado carregava não era uma arma, mas um saco de sapato contendo lápis de cor de seus filhos, que teriam sido retirados do interior do veículo.

A nota também sustenta que o trabalhador teria reagido de forma desproporcional durante a abordagem. “Ocorre que o cidadão não aceitou a abordagem e se indispôs de forma desproporcional, com gestos de apontamento consistente em apontar a serra elétrica ao magistrado”, diz trecho do documento.

Por fim, o advogado informou que medidas judiciais estão sendo adotadas para responsabilizar o autor da acusação e preservar a honra e a imagem do magistrado.

O caso segue sob análise das autoridades competentes.

Confira na nota na íntegra:

"Diante das notícias veiculadas na data de hoje acerca de suposto incidente envolvendo o magistrado Wladymir Perri, venho a público, na condição de advogado constituído, apresentar o esclarecimento que os fatos exigem e restabelecer a verdade sobre o ocorrido.

Inicialmente, é indispensável registrar que o Dr. Wladymir Perri é, neste episódio, a vítima e não o agressor, como se pretendeu fazer crer a partir de um registro unilateral junto à delegacia.

Cumpre esclarecer que não havia qualquer relação contratual entre o Dr. Wladymir Perri e o jardineiro. O prestador de serviço realizava trabalho para um vizinho do magistrado. Diante do impacto causado pelo serviço em sua residência, o Dr. Wladymir Perri, em sua residência e sem deslocar da mesma, dirigiu-se ao profissional de forma respeitosa, buscando, a todo momento minimizar o desconforto e o incomodação decorrente e produzido pelo queixoso. 

Ocorre que o cidadão, não aceitou a abordagem e se indispôs de forma desproporcional, gestos de apontamento consistente em apontar a serra elétrica ao magistrado. É fundamental, mesmo diante desse contexto que não houve qualquer contato físico entre o Dr. Wladymir Perri e o jardineiro.

O magistrado portava apenas um saco de cor amarela, de sapato, em que nesse objeto havia tão somente os lápis de cores dos seus filhos, qual  o magistrado estava assim portando, tendo em vista, que foi buscar o material escolar de seus filhos que encontrava dentro do veiculo, portanto, não havia qualquer arma dentro desse objeto (saco de colocação sapato), diga-se, único objeto que possuía naquele momento.

Portanto, ao contrario de noticiado pela imprensa local e, quiçá, decorrente do histórico da narrativa do boletim de ocorrência, reproduziu fato inverídicos, ou seja, que não aconteceram.

Este é um momento extremamente constrangedor, tendo em vista, que o fato não aconteceu na forma narrada, diga-se, e a frente de sua residência, portanto, como se observa do presente esclarecimento, não foi em via pública, não foi na residência da suposta vítima e, mais foi em horário de descanso da própria família, portanto, não foi o Dr. Wladymir Perri, qual saiu procurando qualquer ato de desavença e agora de exposição.

Por fim, esclareço que as medidas judiciais estão sendo tomadas, até porque, quem estava armado com serra elétrica era a suposta vítima. 

As medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas para a devida responsabilização, bem como para a preservação da honra e da imagem do magistrado".

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