Jayme pede desculpas por ter apresentado Mauro Mendes a MT e critica “Estado privado”
Senador diz se arrepender de ter apresentado Mauro Mendes aos mato-grossenses em 2018 e critica investimentos do governo estadual

O senador Jayme Campos (União Brasil) fez um duro discurso contra a condução política e administrativa de Mato Grosso e pediu desculpas aos mato-grossenses por ter apoiado a ascensão política do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). A declaração foi feita nesta quarta-feira (12), durante pronunciamento no Congresso Nacional.
Em tom de autocrítica, Jayme afirmou que teve participação na construção política de Mendes e disse lamentar o resultado do caminho que, segundo ele, ajudou a abrir em 2018.
“Eu quero pedir desculpas ao povo mato-grossense. Minhas desculpas. Perdão por ter saído em 2018 puxando essa força que deixamos crescer, palmo a palmo na cidade, apresentando o cidadão Mauro Mendes aos mato-grossenses”, declarou.
O discurso ocorreu em meio às repercussões da Operação Heritage, investigação que apura suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi e à posterior circulação dos recursos. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Jayme tem feito críticas ao caso e chegou a cumprimentar publicamente Dino pela decisão que autorizou as medidas investigativas. O senador também cobrou que a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundem as apurações.
Ao citar os R$ 308 milhões envolvidos no acordo, Jayme comparou o montante a investimentos que, segundo ele, poderiam ser realizados em áreas como Saúde, Habitação e Educação. O senador mencionou a possibilidade de aplicação dos recursos em leitos de UTI, casas populares, creches e escolas.
O valor citado corresponde ao montante do acordo investigado pela Operação Heritage e não significa, neste estágio da apuração, que os R$ 308 milhões tenham sido comprovadamente desviados. A investigação ainda busca esclarecer a movimentação e a eventual destinação irregular dos recursos.
Na sequência, o senador fez uma das críticas mais contundentes ao grupo político que comandou o Estado nos últimos anos. Segundo Jayme, Mato Grosso teria deixado de funcionar como um Estado voltado ao interesse público.
“Lamentavelmente, hoje o Estado de Mato Grosso passou a ser um verdadeiro balcão de negócios. Passou a ser um Estado que não é público, é um Estado privado, um Estado de meia dúzia de donos que estão, com certeza, usurpando do erário público, da sociedade”, afirmou.
Jayme também direcionou críticas aos investimentos realizados no Parque Novo Mato Grosso, especialmente à aquisição de uma roda-gigante, empreendimento que já havia sido alvo de questionamentos públicos do senador.
No discurso, o parlamentar voltou a utilizar o investimento como exemplo para questionar as prioridades do governo estadual.
“Um Estado que, lamentavelmente, se curva com uma roda-gigante para colocar num parque de R$ 70 milhões”, disse.
Para Jayme, os recursos empregados em projetos dessa natureza deveriam ser confrontados com as necessidades da população, especialmente nas áreas sociais.
“Eu entendo que é roubar esperança para a sociedade, para nossas crianças, para o cidadão menos afortunado, que precisa de uma saúde pública de qualidade”, afirmou.
O senador ainda falou em “corrupção desenfreada” no Estado, mas não apresentou, durante o pronunciamento, detalhes ou acusações individualizadas que sustentassem a afirmação.
Em outro momento, Jayme fez acusações mais contundentes envolvendo pessoas e empresas que, segundo ele, estariam relacionadas à movimentação dos recursos investigados na Operação Heritage. As afirmações deverão ser confrontadas com os autos da investigação e com as versões das defesas dos citados antes de serem tratadas como fatos.
“Não estou defendendo partido”
Ao justificar o tom do discurso, Jayme Campos afirmou que sua manifestação não estaria relacionada à defesa de interesses partidários ou de grupos políticos.
“Não podemos permitir, de forma alguma. É um desabafo que eu faço aqui, mas a defesa das boas práticas políticas. Não estou aqui defendendo interesse de qualquer que seja, ou de partido, muito menos de segmentos da sociedade”, declarou.
O senador afirmou que pretende defender o que considera ser o interesse coletivo dos mato-grossenses e voltou a falar em perda de esperança por parte da população.
“Estou aqui para defender toda uma coletividade que está sendo roubada da sua esperança, roubada de um Estado que possa ser um Estado que precisamos construir com justiça social e com mais cidadania”, afirmou.
Ao encerrar o pronunciamento, Jayme repetiu o pedido de desculpas feito no início da fala.
“Eu quero pedir ao povo de Mato Grosso minhas desculpas”, concluiu.
As declarações ampliam o distanciamento político de Jayme Campos em relação ao grupo liderado por Mauro Mendes. O senador, que é pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, já vinha criticando gastos do Estado com o Parque Novo Mato Grosso e defendendo mudanças na condução de obras e concessões públicas.
Com a Operação Heritage, as críticas ganharam um novo elemento político. Ao relacionar o caso envolvendo o acordo com a Oi às prioridades do Estado, Jayme passou a utilizar a investigação como argumento para cobrar transparência, aprofundamento das apurações e uma revisão das prioridades na aplicação dos recursos públicos.
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