Líder do Comando Vermelho presa na Bolívia chega a Cuiabá e cumprirá 6 meses de isolamento
Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, foi recambiada sob forte esquema de segurança para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, nesta terça-feira (20). Apontada como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, ela estava detida provisoriamente em Corumbá (MS) após […]

Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, foi recambiada sob forte esquema de segurança para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, nesta terça-feira (20). Apontada como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, ela estava detida provisoriamente em Corumbá (MS) após ser recapturada na Bolívia.
A criminosa, que possui registros policiais desde os 16 anos de idade, acumula condenações que somam mais de 260 anos de prisão.
A Fuga e a Captura Internacional
Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, data em que conseguiu escapar da mesma penitenciária feminina da capital mato-grossense para a qual retornou agora.
Ela foi localizada e presa pouco mais de um ano depois, no dia 22 de setembro de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. A captura foi resultado de uma ação de inteligência integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Boliviana. Dois dias depois, as autoridades bolivianas a entregaram para a Polícia Federal brasileira, que a manteve no Mato Grosso do Sul até o planejamento logístico e seguro de sua transferência para Cuiabá.
Isolamento no RDD
Para neutralizar sua capacidade de comando, a 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão imediata da detenta no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por um prazo inicial de 180 dias (seis meses), com possibilidade de prorrogação.
Nesse regime rígido, Angeliquinha ficará em uma cela de isolamento, sem nenhum contato com as demais presidiárias da unidade. De acordo com a Polícia Civil, a medida drástica foi tomada por se tratar de uma criminosa de altíssima periculosidade que, segundo as investigações, continuou exercendo sua função de liderança e coordenando o tráfico de drogas na região de Alta Floresta (MT) mesmo enquanto esteve foragida fora do país. Os direitos a visitas e banhos de sol também serão rigorosamente cerceados e reduzidos, sob vigilância máxima do Estado.
O Baque Financeiro: Operação Showdown
O cerco contra a liderança criminosa envolve também sufocar o braço financeiro de sua operação. Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a “Operação Showdown”, voltada para desarticular o núcleo familiar responsável por lavar o dinheiro obtido com os crimes de Angeliquinha.
Durante a investigação, os agentes identificaram:
- Movimentações incompatíveis: Mais de R$ 20 milhões transacionados em cerca de um ano e sete meses por pessoas ligadas a ela.
- Aparência legal: Empresas e pequenos negócios foram usados como fachada para branquear o dinheiro ilícito proveniente do tráfico e de outras ações violentas.
- Bloqueios estruturais: Foram cumpridas 31 ordens judiciais em março, resultando em prisões, sequestro de veículos e imóveis, e o bloqueio sistemático de contas bancárias associadas ao grupo.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar a rede de apoio que garantiu a estadia e a ocultação da liderança criminosa durante os meses em que permaneceu clandestina no território boliviano.
Veja vídeo:
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