Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CORRIDA PELA PRESIDÊNCIA

Lula e Flávio Bolsonaro lideram disputa entre 13 candidatos à Presidência; veja quem está na corrida eleitoral

Candidaturas reúnem políticos com décadas de trajetória pública, governadores, empresários, um escritor e nomes que fazem a primeira disputa eleitoral nacional

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A eleição para a Presidência da República começou oficialmente neste domingo (16) com 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A lista reúne desde o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um novo mandato, até nomes que nunca disputaram uma eleição presidencial. Entre os principais concorrentes estão ainda o senador Flávio Bolsonaro (PL), os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB).

O primeiro levantamento divulgado já durante a campanha mostra uma disputa concentrada nos dois principais nomes. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17) aponta Lula com 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, enquanto Romeu Zema e Renan Santos (Missão) têm 4% cada. A pesquisa ouviu 2.003 pessoas entre os dias 14 e 16 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

A relação de candidatos, no entanto, mostra uma eleição mais ampla do que os números das pesquisas. Há representantes de diferentes correntes políticas e perfis profissionais, incluindo candidatos ligados à esquerda radical, à direita, ao empresariado, à produção intelectual e a movimentos políticos.

Lula tenta permanecer no Palácio do Planalto

Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva disputa uma nova eleição presidencial como candidato à reeleição pelo PT. Sua trajetória política começou no movimento sindical do ABC paulista e passou pela fundação do Partido dos Trabalhadores.

Lula foi presidente entre 2003 e 2010 e voltou ao cargo em 2023, depois de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022.

Para 2026, o petista mantém Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente. A composição repete a chapa que venceu a eleição anterior.

A candidatura de Lula representa também uma tentativa de transformar a avaliação do atual governo em um novo mandato. A campanha começou em São Bernardo do Campo (SP), cidade onde o presidente construiu sua carreira sindical.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Lula informou patrimônio de aproximadamente R$ 4,77 milhões.

Flávio Bolsonaro é o candidato do PL

Do outro lado da principal disputa está Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e candidato do PL à Presidência.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio construiu sua carreira política no Rio de Janeiro. Foi deputado estadual por quatro mandatos e chegou ao Senado em 2019.

A candidatura presidencial representa sua primeira tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.

Flávio passou a ocupar o espaço deixado pelo pai, que está impedido de disputar a eleição. A campanha trabalha para transferir para o senador a força eleitoral construída pelo bolsonarismo nas últimas eleições.

O candidato a vice é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

Flávio declarou aproximadamente R$ 8,18 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral.

A campanha foi aberta no domingo (16), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O ato teve forte presença de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi marcado por críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal e pela defesa de propostas relacionadas à segurança pública.

Caiado tenta transformar experiência em alternativa nacional

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, chega à eleição presidencial depois de uma longa carreira política.

Médico e produtor rural, Caiado já foi deputado federal, senador e governador. Também disputou a Presidência da República em 1989.

Em 2026, concorre pelo PSD e tenta se apresentar como uma alternativa de direita que não esteja vinculada diretamente ao grupo Bolsonaro.

O candidato a vice é Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e ex-prefeito de São Paulo.

Caiado declarou patrimônio superior a R$ 52 milhões.

A campanha começa com o candidato atrás de Lula e Flávio nas pesquisas. O levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira aponta 5% das intenções de voto para o governador de Goiás.

Zema deixa o governo de Minas para disputar o Planalto

Romeu Zema, do Novo, também chega à eleição depois de dois mandatos como governador.

Empresário antes de entrar na política, Zema foi eleito governador de Minas Gerais em 2018 e reeleito em 2022. Sua administração foi marcada pelo discurso de ajuste das contas públicas, redução da máquina estatal e atração de investimentos.

Agora, deixou o governo mineiro para disputar a Presidência.

O vice é o senador Eduardo Girão (Novo).

Zema declarou cerca de R$ 178,7 milhões em patrimônio.

Na pesquisa BTG/Nexus, aparece com 4%.

Renan Santos tenta transformar o MBL em força eleitoral

A eleição presidencial também marca a estreia de Renan Santos, do Missão, na disputa pelo Palácio do Planalto.

Um dos principais dirigentes do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan construiu sua atuação política fora dos mandatos eletivos. Sua carreira está ligada à organização do movimento, à militância e à comunicação política.

O Missão surgiu a partir da estrutura política construída pelo MBL.

Renan tem Aroldo Medina como candidato a vice e declarou aproximadamente R$ 795 mil em patrimônio.

Sua campanha tenta ocupar um espaço entre a direita tradicional e o bolsonarismo, com críticas tanto ao governo Lula quanto ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pablo Marçal volta às urnas, desta vez para a Presidência

Empresário, escritor e influenciador digital, Pablo Marçal chega à eleição presidencial depois de ganhar projeção nacional na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.

Naquela eleição, terminou em terceiro lugar e obteve mais de 1,7 milhão de votos.

Em 2026, concorre pelo PRTB e tem Leonardo Avalanche, presidente nacional da legenda, como candidato a vice.

A candidatura de Marçal começa, porém, cercada por uma questão judicial. Ele foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral de São Paulo em processos relacionados à eleição municipal de 2024. Uma decisão liminar permitiu sua refiliação ao PRTB e o registro da candidatura, mas a situação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.

Outro ponto que exige cuidado na consulta aos dados oficiais é o patrimônio. O sistema eleitoral chegou a apresentar uma declaração de valor bilionário atribuída a Marçal, mas o candidato contestou o valor e informou ter solicitado correção. Por isso, o número não deve ser apresentado como patrimônio definitivo sem a atualização do registro.

Augusto Cury estreia na política

Conhecido nacionalmente como escritor e psiquiatra, Augusto Cury, do Avante, decidiu entrar na disputa eleitoral em 2026.

Cury construiu sua carreira principalmente na medicina, na produção acadêmica e na literatura. É autor de diversos livros publicados no Brasil e no exterior.

A candidatura à Presidência é sua primeira disputa eleitoral.

O vice é o ex-deputado federal Júlio Delgado (Avante).

Cury declarou aproximadamente R$ 242 milhões em patrimônio, um dos maiores valores entre os candidatos registrados.

Sua campanha apresenta propostas relacionadas à educação, saúde mental, gestão pública, equilíbrio fiscal e mudanças na estrutura política brasileira.

Clariana Barão é a representante de Mato Grosso na disputa

A advogada Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC), é a candidata de Mato Grosso à Presidência da República.

Aos 39 anos, ela entra na disputa nacional sem ter construído uma carreira anterior em mandatos eletivos. Sua trajetória política está ligada à atuação partidária e ao Direito.

Clariana foi escolhida pelo DC depois da saída de outros nomes que haviam sido cogitados pela legenda.

A candidata a vice é Fabiana Torquato.

Clariana declarou aproximadamente R$ 1,82 milhão em patrimônio.

Ela também está entre as duas únicas mulheres que disputam a Presidência em 2026.

Quatro partidos de esquerda mantêm candidaturas próprias

Além de Lula, quatro partidos do campo da esquerda decidiram apresentar candidaturas próprias.

Pelo PCB, o candidato é Edmilson Costa, economista e professor universitário. Sua trajetória está ligada à militância comunista e à atividade acadêmica. Ele tem Cleusa Santos como vice.

O PSTU lançou Hertz Dias, professor e militante político do Maranhão. Ele já havia participado de uma eleição presidencial como candidato a vice. Em 2026, concorre como cabeça de chapa, tendo Vanessa Portugal como vice.

O PCO apresenta novamente Rui Costa Pimenta, jornalista e presidente nacional da legenda. Ele já disputou a Presidência em eleições anteriores e tem Antônio Carlos Silva como vice.

Já a Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins, que anteriormente havia disputado a eleição presidencial como candidata a vice. Agora, aparece como cabeça de chapa, com Raquel Bricio na vice.

São candidaturas que não aparecem entre os nomes competitivos nas pesquisas, mas mantêm projetos próprios e apresentam programas diferentes daquele defendido pela chapa de Lula.

Wilson Grassi completa a lista de candidatos

O 13º nome registrado para a Presidência é Wilson Grassi Júnior, do Democrata.

Veterinário, Grassi tem atuação relacionada à proteção e ao bem-estar animal e decidiu levar essa pauta para a disputa nacional.

O Democrata é o novo nome adotado pelo partido que anteriormente se chamava Partido da Mulher Brasileira (PMB).

A candidatura de Grassi representa uma estreia da legenda na disputa presidencial.

Diferença patrimonial supera R$ 200 milhões

Os registros apresentados ao TSE também revelam uma grande diferença entre os patrimônios declarados pelos candidatos.

Augusto Cury, com cerca de R$ 242 milhões, e Romeu Zema, com aproximadamente R$ 178,7 milhões, estão entre os candidatos com maior patrimônio declarado.

Na outra ponta estão candidatos como Samara Martins, que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 33 mil, além de Hertz Dias e Rui Costa Pimenta, que informaram não possuir bens.

A declaração patrimonial não significa, necessariamente, dinheiro disponível para financiar a campanha. O documento apresentado à Justiça Eleitoral relaciona os bens que pertencem ao candidato.

O caso de Pablo Marçal precisa ser analisado separadamente por causa da contestação apresentada pelo próprio candidato em relação ao valor registrado no sistema.

O que mostra a eleição neste início de campanha

A campanha presidencial começou com 13 candidatos, mas os primeiros números indicam uma disputa concentrada.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem muito à frente dos demais concorrentes. Caiado, Zema e Renan Santos formam um segundo grupo, ainda distante dos dois líderes.

Para os demais candidatos, o desafio inicial é ampliar o nível de conhecimento junto ao eleitorado e conseguir espaço em uma disputa que, neste momento, é dominada pela polarização entre o presidente e o candidato do PL.

A campanha, porém, começou oficialmente apenas no domingo. Ao longo das próximas semanas, os candidatos terão maior exposição em debates, entrevistas, eventos públicos, propaganda eleitoral e redes sociais.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Até lá, a disputa deve passar por mudanças, principalmente à medida que os candidatos apresentarem propostas, ampliem suas campanhas e busquem conquistar o eleitor que ainda não decidiu o voto.

Quem disputa a Presidência em 2026

Candidato Partido Vice
Luiz Inácio Lula da Silva PT Geraldo Alckmin
Flávio Bolsonaro PL Alfredo Gaspar
Ronaldo Caiado PSD Gilberto Kassab
Romeu Zema Novo Eduardo Girão
Renan Santos Missão Aroldo Medina
Pablo Marçal PRTB Leonardo Avalanche
Augusto Cury Avante Júlio Delgado
Clariana Barão DC Fabiana Torquato
Edmilson Costa PCB Cleusa Santos
Hertz Dias PSTU Vanessa Portugal
Rui Costa Pimenta PCO Antônio Carlos Silva
Samara Martins UP Raquel Bricio
Wilson Grassi Júnior Democrata Suêd Haidar

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