Lula evita responder sobre investigações envolvendo Lulinha e Marcola durante entrevista em Brasília
Presidente foi questionado sobre possível impacto dos casos na campanha eleitoral e sobre ex-chefe de gabinete, mas deixou o local sem comentar os assuntos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou responder, nesta terça-feira (25), a perguntas de jornalistas sobre as investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Os questionamentos ocorreram após a cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília.
Lula foi questionado se as investigações poderiam provocar impacto em sua campanha à reeleição e se estaria decepcionado com Marcola. O presidente, porém, não respondeu às perguntas e encerrou a conversa com os jornalistas.
A iniciativa de falar com a imprensa após a cerimônia não é habitual. Segundo relatos da cobertura do evento, Lula permaneceu por alguns minutos diante dos jornalistas, mas concentrou suas declarações em temas relacionados à defesa nacional e à participação feminina no Exército.
Investigações
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de empresas em negócios com órgãos do governo federal. Duas das investigações são relatadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e uma terceira está sob relatoria do ministro Flávio Dino. Lulinha nega ter cometido irregularidades.
Entre as frentes investigadas está a suspeita de atuação para aproximar empresas do Ministério da Saúde e da Dataprev. A PF também analisa mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, além de possíveis relações com empresários interessados em negócios com o governo.
Marcola, que deixou o cargo de chefe de gabinete de Lula em julho, também aparece nas apurações. A PF investiga possíveis conexões entre ele, Lulinha e Roberta Luchsinger. Segundo informações divulgadas pela imprensa a partir dos documentos da investigação, a lobista teria pago despesas pessoais atribuídas ao ex-assessor. A defesa de Marcola sustenta que os pagamentos fizeram parte de um empréstimo pessoal posteriormente quitado.
Lula fala sobre defesa nacional
Sem comentar os questionamentos sobre o filho e o ex-assessor, Lula destacou a necessidade de ampliar os investimentos em defesa. O presidente afirmou que o setor deve ser tratado como prioridade e não depender de recursos que eventualmente sobrem no orçamento.
“Para um país que tem 16.800 km de fronteira seca, 8 mil km de fronteira marítima, a maior reserva florestal do mundo, possivelmente a primeira ou segunda reserva de minerais críticos, que tem 215 milhões de habitantes e petróleo a 300 km da margem do nosso oceano, a defesa não pode ser algo quando sobrar dinheiro”, afirmou.
Lula também comentou a entrada de mulheres no Exército e classificou o movimento como uma “revolução comportamental”, destacando a ampliação da participação feminina nas Forças Armadas.
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