Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
COMÉRCIO INTERNACIONAL

Mais algodão nos EUA aumenta expectativa de oferta global e coloca preços da pluma sob pressão

USDA projeta avanço de 6,12% na área plantada na safra 2026/27; melhora das condições climáticas e recuperação das cotações estimularam intenção de cultivo.

agro/ algodão

A expectativa de uma safra maior de algodão nos Estados Unidos na temporada 2026/27 colocou o mercado internacional da fibra em alerta para um possível aumento da oferta global e pressão sobre as cotações. Segundo o relatório Acreage, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área destinada ao cultivo deve alcançar 3,99 milhões de hectares, crescimento de 6,12% em relação ao ciclo anterior.

A expansão da área plantada ocorre após a recuperação dos preços internacionais do algodão entre março e maio deste ano. No período, o contrato de julho de 2026 negociado na Bolsa de Nova York (ICE-NY) acumulou valorização de 18,75%, movimento que favoreceu a decisão dos produtores norte-americanos em ampliar o espaço destinado à cultura.

Além do cenário de preços, as condições climáticas também contribuíram para o avanço da intenção de plantio. O aumento do volume de chuvas nas últimas semanas reduziu a intensidade da seca em importantes regiões produtoras do chamado Cinturão Algodoeiro dos Estados Unidos, melhorando as condições para o desenvolvimento inicial das lavouras.

A análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgada nesta semana destaca, no entanto, que a produção final dependerá da área efetivamente colhida e do comportamento do clima ao longo do ciclo. Caso as condições permaneçam favoráveis, o aumento da produção norte-americana poderá elevar a disponibilidade de pluma no mercado internacional e contribuir para um cenário de preços mais pressionados.

No mercado brasileiro, os indicadores acompanhados pelo Imea apresentaram movimentos distintos na última semana. O preço da arroba da pluma registrou alta de 0,48%, influenciado pela estabilidade do câmbio e pela oferta mais restrita de algodão beneficiado, característica do início da colheita.

Já a paridade de exportação para dezembro de 2026 apresentou queda de 0,62% na comparação semanal, encerrando o período na média de 77,07 centavos de dólar por libra-peso. O poliéster também recuou 2,21%, acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional, e fechou cotado em 38,26 centavos de dólar por libra-peso.

A evolução da safra norte-americana seguirá como um dos principais fatores de acompanhamento do mercado global de algodão. Qualquer alteração nas estimativas de produção dos Estados Unidos poderá influenciar a formação dos preços internacionais e a competitividade da pluma brasileira no comércio exterior.

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