Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
MERCADO DA SOJA

Margem da indústria de soja em Mato Grosso sobe e mantém setor entre os mais rentáveis dos últimos anos

AGRO/SOJA

O avanço da demanda por derivados da soja e a maior oferta de grãos em Mato Grosso voltaram a fortalecer a rentabilidade da indústria de esmagamento no estado. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que a margem bruta das indústrias cresceu 5,79% em abril de 2026 na comparação mensal, fechando na média de R$ 694,12 por tonelada.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela pressão sobre os preços da soja no mercado interno, causada pela ampla oferta do grão após a colheita recorde, ao mesmo tempo em que óleo e farelo registraram valorização. O cenário ampliou a competitividade das esmagadoras e manteve a margem industrial entre os maiores níveis observados para o período nos últimos cinco anos.

Apesar da rentabilidade elevada, o processamento de soja apresentou leve desaceleração em abril. O volume esmagado em Mato Grosso totalizou 1,20 milhão de toneladas, queda de 2,24% frente a março. Segundo o Imea, o recuo ocorreu devido a paradas programadas para manutenção em algumas unidades industriais.

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, porém, o desempenho segue positivo. Entre janeiro e abril, o estado processou 4,50 milhões de toneladas de soja, alta de 3,79% em relação ao mesmo período do ano passado.

O cenário acompanha a forte demanda global por óleo vegetal, impulsionada principalmente pelo setor de biocombustíveis. Nos Estados Unidos, a expansão das projeções para produção de biodiesel e diesel renovável vem sustentando as cotações internacionais do óleo de soja e estimulando o processamento da oleaginosa em países exportadores como o Brasil.

Em Mato Grosso, os preços dos derivados continuam em patamar elevado. Na última semana analisada pelo Imea, o farelo de soja foi negociado em média a R$ 1.622,11 por tonelada, enquanto o óleo de soja fechou cotado a R$ 5.929,58 por tonelada.

Já a soja disponível no estado encerrou o período na média de R$ 104,52 por saca. Em Chicago, o contrato corrente da oleaginosa ficou cotado a US$ 11,97 por bushel, refletindo a pressão da ampla oferta global, especialmente da América do Sul.

Outro fator que vem dando suporte ao mercado brasileiro é o avanço dos prêmios de exportação. No porto de Santos, os prêmios subiram para 55 centavos de dólar por bushel na última semana, indicando demanda aquecida pela soja nacional.

A comercialização da safra 2025/26 em Mato Grosso também segue acelerada. Segundo o Imea, 72,52% da produção já havia sido negociada até maio, avanço significativo em relação aos meses anteriores. Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas alcançaram 13,53%.

As perspectivas para o próximo ciclo permanecem positivas. O Imea estima área plantada de 13,04 milhões de hectares em Mato Grosso na temporada 2026/27, com produtividade média de 62,44 sacas por hectare e produção projetada em 48,88 milhões de toneladas.

Mesmo com o aumento dos custos de produção — estimados em R$ 4.286,89 por hectare no custeio da próxima safra — o setor segue sustentado pela demanda internacional aquecida e pela força da indústria de biocombustíveis, que vem ampliando o consumo global de óleo de soja.

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