Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
PECUÁRIA

Margem da indústria frigorífica melhora em Mato Grosso e mercado do boi segue sustentado em junho

AGRO/PECUÁRIA

A rentabilidade da indústria frigorífica em Mato Grosso apresentou melhora em maio de 2026, impulsionada pelo aumento da margem do Equivalente Físico (EF), indicador que mede a diferença entre a receita obtida com a venda da carne bovina no atacado e o custo de aquisição do boi gordo. Os dados são do boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo o levantamento, a margem média do EF fechou maio em -4,47%, avanço de 0,75 ponto percentual em relação a abril. Embora o indicador permaneça em terreno negativo, o resultado demonstra uma recuperação da rentabilidade dos frigoríficos, que passaram a operar em um ambiente mais equilibrado, próximo da média histórica de -4,62%.

A melhora ocorreu devido ao maior distanciamento entre os preços da carne bovina comercializada no atacado e os valores pagos pela matéria-prima, permitindo um ganho maior para as indústrias de processamento.

Mercado encontra equilíbrio

A análise do Imea mostra que o setor vem encontrando um ponto de equilíbrio após meses de oscilações causadas pelo elevado volume de oferta de animais e pelas mudanças no ritmo das exportações.

Ao longo de maio, o Equivalente Físico registrou queda gradual, passando de R$ 337,18 por arroba no final de abril para R$ 328,61 por arroba na última semana de maio. Apesar disso, o movimento foi acompanhado pela estabilidade dos preços do boi gordo em Mato Grosso, que encerrou o período cotado a R$ 340,84 por arroba a prazo.

A vaca gorda também apresentou pouca variação, fechando o mês em R$ 313,92 por arroba.

Outro fator que reforça o equilíbrio do mercado é a escala de abate. O indicador permaneceu próximo de 10 dias durante todo o mês, encerrando a última semana em 10,14 dias, sinalizando que as indústrias continuam com abastecimento confortável, porém sem excesso de oferta.

Exportações seguem dando suporte aos preços

O cenário também encontra respaldo no mercado externo. Mato Grosso exportou 84,11 mil toneladas equivalentes de carne bovina em abril, gerando receita de US$ 408,66 milhões.

Embora o volume embarcado tenha ficado abaixo do recorde registrado em dezembro de 2025, quando o estado exportou 110,77 mil toneladas, a receita avançou em relação aos primeiros meses deste ano, evidenciando a valorização do produto brasileiro no mercado internacional.

A demanda chinesa continua sendo o principal motor das exportações brasileiras, enquanto mercados como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e países do Sudeste Asiático seguem ampliando participação nas compras de carne bovina nacional.

Oferta menor pode sustentar mercado

Do lado da oferta, os números do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) apontam redução no volume de animais enviados para o abate.

Em abril, o estado abateu 586,87 mil cabeças, queda de 6,4% em comparação com março, quando foram registradas 626,91 mil cabeças. O recuo foi observado tanto entre machos quanto entre fêmeas.

A diminuição dos abates ocorre após um período de forte descarte de matrizes registrado nos últimos anos e pode indicar uma desaceleração gradual da oferta de animais terminados ao longo do segundo semestre.

Essa percepção também aparece no mercado futuro. Os contratos do boi gordo negociados na B3 para outubro encerraram maio em R$ 349,05 por arroba, valor superior ao preço físico atual de Mato Grosso, refletindo expectativa de maior valorização nos próximos meses.

Bezerro mais caro reduz poder de compra do pecuarista

Outro destaque do boletim é a valorização da reposição. O preço do bezerro de 210 quilos encerrou maio em R$ 3.350,27 por cabeça, alta de 6,7% em relação ao final de abril.

Com isso, a relação de troca entre boi gordo e bezerro caiu de 2,36 para 2,14 cabeças ao longo do mês. Na prática, o pecuarista precisa vender mais arrobas para adquirir o mesmo animal de reposição, reduzindo sua capacidade de investimento.

O movimento é acompanhado pela elevação dos custos de produção. No primeiro trimestre de 2026, o custo operacional total da recria e engorda atingiu R$ 351,63 por arroba, o maior patamar da série recente do Imea.

Perspectiva para junho é positiva

Para junho, a expectativa do Imea é de manutenção do viés positivo para o mercado do boi gordo. O cenário é sustentado pela combinação entre demanda aquecida e oferta mais restrita de animais.

Além das tradicionais festividades juninas, que costumam elevar o consumo de proteína bovina, o setor aposta em um aumento das vendas associado aos eventos esportivos internacionais que movimentam bares, restaurantes e o varejo alimentar.

Somado a isso, a continuidade das exportações em ritmo elevado e a perspectiva de menor disponibilidade de bovinos terminados devem contribuir para manter os preços firmes e preservar as margens da indústria frigorífica nas próximas semanas.

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