Esmagamento de soja em MT bate recorde no primeiro semestre impulsionado por biodiesel e exportações
Indústria processou 7,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho, maior volume da série para o período, enquanto embarques de farelo e óleo avançaram quase 9%.

Mato Grosso registrou um novo recorde no processamento de soja no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, a indústria esmagou 7,02 milhões de toneladas da oleaginosa, volume 4,53% superior ao apurado no mesmo período do ano passado e o maior já registrado para o intervalo, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O avanço reflete o fortalecimento da demanda pelos principais derivados da soja. De um lado, a indústria de biodiesel manteve elevado o consumo de óleo. De outro, o mercado externo ampliou as compras de farelo e óleo produzidos no estado, estimulando as indústrias a operar em ritmo mais intenso.
Os embarques de derivados acompanharam esse movimento. No primeiro semestre, Mato Grosso exportou 4,59 milhões de toneladas de farelo e óleo de soja, crescimento de 8,94% em relação ao mesmo período de 2025.
A Argélia permaneceu como o principal destino do óleo de soja mato-grossense, concentrando 38,08% das exportações do produto. No mercado de farelo, a Indonésia liderou as aquisições, com participação de 24,65% do volume embarcado pelo estado.
Na avaliação do Imea, o desempenho também está relacionado à maior disponibilidade de matéria-prima. Após sucessivas safras volumosas, a indústria ampliou o processamento para absorver parte da oferta de soja, agregando valor à produção por meio da fabricação de farelo e óleo, produtos que mantêm demanda firme tanto no mercado interno quanto no comércio internacional.
Os indicadores de mercado reforçam esse cenário. Na última semana, a soja disponível em Mato Grosso valorizou 1,72%, com a saca negociada, em média, a R$ 110,64, movimento sustentado pelo menor volume de negócios típico da entressafra.
No mercado internacional, os contratos da soja negociados na Bolsa de Chicago avançaram 0,32%, impulsionados pela valorização do farelo e do óleo. Já o Prêmio Santos, referência para as exportações brasileiras, subiu 8,86% na comparação semanal e encerrou o período na média de 118 centavos de dólar por bushel.
O ritmo da indústria confirma uma tendência observada nos últimos anos em Mato Grosso: além de liderar a produção nacional de soja, o estado amplia gradativamente sua capacidade de processamento, fortalecendo a cadeia de valor da oleaginosa e ampliando a participação dos derivados nas exportações.
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