Mato Grosso projeta recorde de produtividade do algodão mesmo com área reduzida

Mesmo com a redução da área cultivada na safra 2025/26, Mato Grosso pode alcançar a maior produtividade de algodão da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A projeção consta no Relatório de Oferta e Demanda divulgado pelo instituto na segunda-feira (3). O levantamento estima rendimento médio de 315,33 arrobas por hectare, ligeiramente acima do recorde registrado na temporada anterior, de 315,12 arrobas por hectare.
Segundo o Imea, o desempenho é resultado das condições climáticas favoráveis observadas ao longo do desenvolvimento da cultura. O clima contribuiu para compensar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores durante o plantio.
A área destinada ao algodão foi estimada em 1,38 milhão de hectares, retração de 11,11% em relação ao ciclo anterior. Apesar da redução, os elevados rendimentos devem assegurar uma das maiores safras já registradas no estado.
A diminuição da área cultivada, no entanto, terá impacto sobre o volume final. A produção está projetada em 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,67 milhões de toneladas de pluma. Os volumes são aproximadamente 11% inferiores aos registrados na safra passada.
O recuo está relacionado principalmente à redução da área de algodão de primeira safra. Entre os fatores que influenciaram a decisão dos produtores estão os custos elevados de produção e os preços menos atrativos no período de definição do plantio.
A qualidade da fibra também permanece no radar do instituto. Conforme o relatório, chuvas registradas em meados de junho em algumas regiões, durante a abertura dos capulhos, podem comprometer parte da produção. Apesar do risco pontual, a avaliação geral da safra continua favorável.
No mercado externo, o Imea estima que 76,3% da pluma produzida em Mato Grosso será destinada às exportações, o equivalente, segundo o relatório, a 2,09 milhões de toneladas. Além disso, mais de 97% dos estoques finais projetados já estão comercializados, o que indica baixa disponibilidade de fibra para novas negociações ao longo da temporada.
Milho deve ampliar produção
O Relatório de Oferta e Demanda
também apresentou novas projeções para as cadeias do milho e da soja em Mato Grosso.
No caso do milho de segunda safra 2025/26, o Imea confirmou o aumento da área cultivada para 7,43 milhões de hectares, avanço de 2,41% em relação ao ciclo anterior.
Com produtividade média estimada em 128,67 sacas por hectare, a produção estadual foi revisada para 57,39 milhões de toneladas, crescimento de 3,53% na comparação anual.
O levantamento também aponta o fortalecimento da agroindústria mato-grossense. Impulsionado pela expansão das usinas de etanol de milho, o consumo interno do cereal deve atingir 22,10 milhões de toneladas, alta de 9,12%.
Soja deve ter estabilidade de área
Para a safra de soja 2026/27, o instituto projeta estabilidade na área cultivada, estimada em 13,05 milhões de hectares. O cenário reflete uma postura mais cautelosa dos produtores diante das margens mais apertadas, dos custos elevados e das restrições de crédito.
Além das dificuldades econômicas, as incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño levaram o Imea a estimar produtividade média de 62,44 sacas por hectare, abaixo do resultado da temporada anterior.
Com isso, a produção de soja está projetada em 48,88 milhões de toneladas, redução de 5,19% em relação ao ciclo 2025/26.
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