Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
"PEDRO TAQUES 2"

Mauro critica proposta de Wellington Fagundes sobre RGA e alerta para risco fiscal

MAURO MENDES

O governador Mauro Mendes (União Brasil) criticou as declarações do senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao governo de Mato Grosso, sobre a possibilidade de pagar a defasagem acumulada da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores públicos caso seja eleito para comandar o Palácio Paiaguás a partir de 2027. Em conversa com a imprensa nesta quarta-feira (11), Mendes afirmou que propostas desse tipo podem comprometer as finanças estaduais e chegou a comparar a proposta à gestão do ex-governador Pedro Taques.

O governador afirmou que a proposta apresentada pelo senador poderia levar o Estado a uma situação de desequilíbrio fiscal. Segundo ele, promessas que ampliam despesas sem indicar a fonte de recursos repetem erros do passado.

“Esse é o caminho para quebrar o Estado. Quer ser o Pedro Taques 2? Foi isso que aconteceu lá atrás. Reduz receita e aumenta despesa. Esse tipo de proposta leva o Estado para o mesmo caminho que já vimos acontecer”, declarou Mendes.

A crítica ocorre após Wellington Fagundes afirmar, em publicação nas redes sociais, que pretende honrar o pagamento da RGA caso seja eleito governador. O senador disse que o governo precisa dar exemplo ao cumprir compromissos com os servidores públicos.

“Dívida tem que ser honrada por qualquer cidadão, imagine pelo governo. Tem que dar o exemplo. O meu governo será um governo de compromisso com o servidor público, portanto honrarei com a RGA”, afirmou o parlamentar em vídeo.

A Revisão Geral Anual é o mecanismo que garante a recomposição salarial dos servidores públicos com base na inflação. De acordo com levantamentos de sindicatos que representam o funcionalismo, a defasagem acumulada ao longo dos últimos anos chega a cerca de 19,5%.

Parte desse atraso ocorreu durante o período da pandemia da COVID-19, quando uma legislação federal suspendeu a obrigatoriedade de reajustes e recomposições salariais nos estados e municípios como medida de controle fiscal.

Mauro Mendes argumentou que propostas que ampliem despesas dessa magnitude precisam considerar o impacto nas contas públicas. Segundo ele, prometer o pagamento integral da defasagem, sem apontar fontes de financiamento, pode gerar um efeito semelhante ao enfrentado em gestões anteriores.

“Quando se fala em aumentar despesas em bilhões e, ao mesmo tempo, reduzir arrecadação, o resultado é desequilíbrio fiscal. Já vimos esse filme antes e sabemos onde ele termina”, afirmou o governador.

Veja vídeos:

Relacionadas