Mauro Mendes chama Operação da PF de “armação eleitoreira” e diz não temer investigação

O ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) se manifestou na noite de quinta-feira (6) sobre ser um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga supostas irregularidades no acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi. Em vídeo publicado nas redes sociais, Mendes negou qualquer envolvimento em ilegalidades, afirmou que “não fez nada de errado”, defendeu a legalidade do acordo e classificou a investigação como uma articulação política de adversários para prejudicar sua candidatura.
No pronunciamento, Mendes afirmou que não teme as investigações, disse que colaborará com a Justiça e classificou a operação como uma tentativa de desgastar sua imagem às vésperas das eleições.
"Isso é a velha política da sujeira. Da mentira, que ataca a família, que não respeita nada e faz tudo pelo poder."
A Operação Heritage foi deflagrada na quinta-feira (6) pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades no acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi, homologado em 2024, que encerrou uma disputa tributária iniciada em 2009. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura possíveis crimes relacionados à negociação que resultou no pagamento de aproximadamente R$ 308 milhões à empresa.
Entre os alvos da operação estão o governador Mauro Mendes, o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União Brasil), o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, além de outros servidores públicos e empresários. Durante a operação foram cumpridos mandados de busca e apreensão, inclusive na residência do governador.
No vídeo, Mauro Mendes afirmou que o acordo foi conduzido pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) dentro da legalidade e destacou que o entendimento representou economia aos cofres públicos.
Durante o pronunciamento, Mauro Mendes atribuiu o início das investigações a denúncias apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques e pela deputada estadual Janaína Riva (MDB).
Segundo ele, ambos teriam construído uma narrativa baseada em informações falsas para provocar a abertura da investigação.
"Janaína Riva e Pedro Taques fizeram denúncia há mais de um ano, criando narrativas falsas sobre isso. Colocaram no processo muitas mentiras e muitas inverdades."
O governador foi além ao afirmar que o relatório elaborado pela Polícia Federal reproduziu o conteúdo da representação apresentada pelo ex-governador.
"O relatório feito pela Polícia Federal, que está no Supremo Tribunal Federal, é um verdadeiro 'copia e cola' da denúncia do Pedro Taques."
As declarações representam a versão de Mauro Mendes sobre a origem da investigação. Até o momento, Pedro Taques e Janaína Riva sustentam as denúncias apresentadas aos órgãos de controle e defendem a apuração dos fatos.
Críticas a Jayme Campos e adversários
Mauro Mendes também direcionou críticas ao senador Jayme Campos (União Brasil) e ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), afirmando que ambos, ao lado de Pedro Taques e Janaína Riva, teriam antecipado nos bastidores políticos que a operação ocorreria.
"Nos últimos meses, meus adversários, Pedro Taques, Janaína Riva, Carlos Fávaro e Jayme Campos estiveram em Brasília fazendo algumas pressões e anunciando que em breve aconteceria essa operação."
Na avaliação do governador, a deflagração da Operação Heritage, faltando cerca de 60 dias para as eleições, teria motivação política.
"Está claro que esses adversários políticos têm a intenção de usar isso como instrumento político para tentar me prejudicar."
"Pode investigar à vontade"
Ao longo do vídeo, Mauro Mendes relembrou uma investigação ocorrida em 2014, quando era prefeito de Cuiabá, afirmando que também foi alvo de busca e apreensão e acabou inocentado posteriormente.
O governador disse confiar na Justiça e garantiu que colaborará integralmente com a investigação.
"Pode investigar à vontade. Eu não fiz nada de errado e tenho certeza de que o Estado de Mato Grosso, através da nossa Procuradoria, também não fez nada ilegal."
"Eu não tenho nada a temer. Já vivi essa experiência antes e tenho certeza de que, assim como em 2014, tudo será esclarecido e a verdade será restabelecida."
Mendes afirmou que continuará participando da campanha eleitoral.
"Não vai ser uma armação eleitoreira que vai parar o nosso projeto de trabalhar pelos mato-grossenses. Vou continuar lutando para que políticos medíocres, mentirosos e malandros não voltem a dominar o Estado de Mato Grosso."
Operação continua
A Polícia Federal informou que a investigação prossegue para apurar se houve irregularidades na celebração do acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi, bem como a eventual prática de crimes relacionados ao procedimento. Os fatos seguem sob análise do Supremo Tribunal Federal, e os investigados terão oportunidade de apresentar suas defesas no decorrer do processo.
Veja vídeo:
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