Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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“Mauro roubou R$ 308 milhões”, afirma Pedro Taques ao comentar operação da PF sobre caso Oi

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O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Pedro Taques (PSB), celebrou a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga o acordo firmado entre o Governo do Estado e a operadora Oi, envolvendo mais de R$ 308 milhões em créditos tributários. O caso envolve uma negociação realizada durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que é apontado por Taques como responsável político pelo acordo.

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Entre os alvos da Operação Heritage estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o ex-secretário-chefe da Casa Civil Fábio Garcia (União Brasil) e o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Ricardo Almeida, apontado como responsável pela intermediação da negociação envolvendo os créditos da operadora Oi. O caso também envolve citações a autoridades do Judiciário, entre elas o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda, que atua no órgão de controle do Judiciário.

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Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (6), Taques afirmou que não desistirá até que o dinheiro retorne aos cofres públicos e que os responsáveis sejam responsabilizados.

"Ninguém acreditava, mas eu sempre acreditei. Agora estamos vivendo uma nova era em Mato Grosso. Mauro roubou 308 milhões de reais. E eu não vou desistir enquanto esse dinheiro não voltar para o povo de Mato Grosso", declarou.

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Taques também relembrou sua atuação em casos de combate à corrupção para reforçar que, segundo ele, mantém a mesma postura diante do caso Oi. O ex-governador citou investigações que envolveram o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro e os ex-governadores José Riva e Silval Barbosa, afirmando que, à época, também enfrentou críticas e descrédito.

“Quando nós começamos a investigação contra o Arcanjo, ninguém acreditava. Eu era procurador da República e dizia: vai cair a casa dele, vai ser preso. Eu nunca desisti. Quando eu entrei no governo do Estado, eu dizia: nós vamos prender o Riva e o Silval”, declarou.

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O ex-governador também afirmou que os recursos poderiam ter sido destinados à segurança pública e à saúde.

"Esse dinheiro era para colocar mais policiais nas ruas, para resolver o problema das cirurgias eletivas, para evitar que mulheres continuem a morrer em Mato Grosso. Esse dinheiro pertence ao povo mato-grossense."

"Eu não vou parar enquanto essas pessoas não forem presas. Por mais que me digam que não vai dar em nada, eu não desisto."

Histórico de Taques no caso Oi

Embora a Operação Heritage tenha sido deflagrada apenas agora pela Polícia Federal, Pedro Taques vem tratando do caso desde o ano passado, quando passou a questionar publicamente o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A.

Em 2025, o ex-governador protocolou representações em órgãos de controle, realizou uma série de publicações nas redes sociais e reuniu documentos que, segundo ele, apontariam supostas irregularidades na negociação de créditos tributários da empresa de telefonia.

Em janeiro deste ano, Taques ingressou com uma Ação Popular pedindo a anulação do acordo e o ressarcimento dos mais de R$ 308 milhões aos cofres públicos. A ação incluiu dezenas de pessoas físicas e jurídicas entre os alvos e questiona a legalidade do Termo de Autocomposição firmado pelo Estado, alegando, entre outros pontos, supostas irregularidades na utilização da Câmara de Resolução Consensual de Conflitos, na forma de pagamento e no destino dos recursos.

Ao longo dos últimos meses, Taques também apresentou novos documentos à Justiça, afirmando que a negociação teria provocado prejuízo ao Estado e sustentando que parte dos recursos teria circulado por fundos de investimento após o pagamento realizado pelo governo.

Governo e Ministério Público contestaram acusações

As acusações feitas por Pedro Taques sempre foram contestadas pelo Governo de Mato Grosso e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que sustentam a legalidade do acordo firmado com a Oi.

A PGE chegou a interpelar judicialmente o ex-governador para que apresentasse provas das declarações feitas nas redes sociais, afirmando que suas acusações atingiam a imagem institucional do órgão.

Em março deste ano, o Ministério Público Estadual também concluiu, em procedimento próprio, que não havia elementos suficientes para responsabilizar os agentes públicos citados por Taques, manifestando-se pelo arquivamento daquela investigação específica.

Operação Heritage

A manifestação de Pedro Taques ocorreu poucas horas após a Polícia Federal cumprir mandados da Operação Heritage, que investiga suspeitas relacionadas ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a Oi S.A.

A investigação apura possíveis crimes envolvendo a negociação milionária que resultou no pagamento de R$ 308,1 milhões, valor que, segundo as investigações, pode ter sido direcionado por meio de estruturas financeiras e fundos de investimento. A operação marca o aprofundamento das apurações sobre um caso que, há mais de um ano, vem sendo alvo de disputas políticas e judiciais em Mato Grosso.

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