Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Max Russi acusa governo de inserir “jabutis” em projetos e fala em tentativa de enfraquecimento do Legislativo

max russi - almt

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), elevou o tom contra o Governo do Estado nesta quarta-feira (24) ao acusar o Executivo de incluir “jabutis” em projetos de lei encaminhados à Casa e tentar, segundo ele, reduzir a autonomia do Parlamento estadual.

A declaração foi feita durante a discussão do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 21/2026, que trata de mudanças na estrutura e nas atribuições da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager). O texto passou por alterações e chegou ao plenário em forma de substitutivo após análise de comissões.

Em discurso no plenário, Max Russi afirmou que o governo estaria enviando propostas com dispositivos considerados estranhos ao objeto principal das matérias — prática conhecida no meio legislativo como “jabuti” — e classificou a estratégia como tentativa de enfraquecimento do Legislativo.

“Enquanto eu for presidente, faço questão de segurar um projeto desse. É muita sacanagem. Eles mandam um jabutizinho. Se nossa equipe não olha, não vê, enfraquece. Querem tomar as decisões sozinhos lá no Executivo e nós não vamos aceitar isso”, afirmou.

Tensão entre Poderes

O presidente da ALMT afirmou ainda que projetos enviados pelo Executivo estariam, em alguns casos, retirando prerrogativas do Parlamento, o que foi revertido durante a tramitação interna da proposta sobre a Ager.

Segundo ele, a atuação das comissões da Casa conseguiu restabelecer dispositivos que garantem maior participação do Legislativo na fiscalização e no acompanhamento das atividades da agência reguladora.

“Enviaram esse projeto tirando muitas prerrogativas do Parlamento estadual. Nossa comissão trabalhou, nossos deputados trabalharam e essas prerrogativas da Assembleia voltaram novamente”, disse.

Max também criticou o que classificou como uma possível insistência do governo em pautas que reduziriam a autonomia do Legislativo e chegou a afirmar que a Casa pode deixar de votar projetos que cheguem com esse tipo de conteúdo.

“O governo parece que faz de propósito. Tenta de todas as formas enfraquecer esse Parlamento”, afirmou.

O debate ocorreu durante a análise do PLC nº 21/2026, que altera regras de funcionamento da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso. Entre os pontos discutidos está o papel da agência na prestação de contas à Assembleia e aos usuários dos serviços regulados.

Max defendeu que a Ager mantenha obrigação de transparência e fiscalização ativa sob controle institucional do Legislativo.

“Tem obrigação, sim, de prestar contas a essa Casa e prestar contas ao usuário”, disse.

Júlio Campos também se manifesta

A crise de bastidores no debate sobre o projeto também repercutiu entre parlamentares. O deputado Júlio Campos (União Brasil) fez manifestação em plenário em apoio à necessidade de maior rigor na análise das propostas enviadas pelo Executivo, reforçando a preocupação com dispositivos inseridos em projetos considerados sensíveis.

Nos corredores da ALMT, a avaliação é de que o episódio amplia a tensão entre Legislativo e Executivo em torno da tramitação de projetos estruturantes e do grau de autonomia da Casa na revisão de matérias enviadas pelo governo.

Clima político

A declaração de Max Russi ocorre em um momento de forte concentração de pautas econômicas e administrativas na Assembleia, incluindo propostas de impacto fiscal e mudanças em órgãos estratégicos do Estado.

Apesar do embate, líderes da base governista ainda tentam preservar o diálogo para evitar que o impasse comprometa a votação de projetos considerados prioritários nas próximas semanas.

Veja vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=jFlz5K2LHdY&t=9524s

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