Mercado futuro do boi gordo sinaliza alta para os próximos meses em Mato Grosso

Os contratos futuros do boi gordo estão indicando um mercado mais firme para os próximos meses, com as maiores valorizações concentradas nos vencimentos mais próximos. Na segunda semana de setembro, os contratos para outubro e dezembro de 2026 acumulavam altas de 5,93% e 5,43%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de agosto, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O contrato com vencimento em outubro de 2026 (BGIV26) registrou média de R$ 378,69 por arroba, enquanto o contrato para dezembro (BGIZ26) chegou a R$ 384,49/@. Os números mostram que o mercado futuro trabalha com preços mais elevados para o boi gordo nos próximos meses.
Uma das explicações está na expectativa de menor disponibilidade de animais prontos para o abate. Segundo o Imea, a retenção de fêmeas tem reduzido a oferta e contribuído para sustentar as cotações.
Essa perspectiva também aparece no mercado físico. Na última semana, a média do boi gordo a prazo em Mato Grosso ficou em R$ 325,96/@, enquanto a vaca gorda foi negociada a R$ 305,50/@. A escala média de abate ficou em 8,99 dias.
Outro ponto observado pelo mercado é a possibilidade de uma demanda externa maior. A expectativa de ampliação das compras pelos Estados Unidos pode dar sustentação adicional aos preços da carne bovina nos próximos meses.
Por outro lado, o mercado ainda tem um fator de atenção no comércio com a China. O atingimento da cota de importação e a aplicação de sobretaxa sobre os volumes que excederem o limite podem limitar parte do avanço das exportações brasileiras.
Arroba mantém valorização
Até a segunda semana de setembro, a arroba do boi gordo em Mato Grosso estava cotada em US$ 62,42/@, alta de 0,17% em relação a agosto e de 13,58% na comparação com setembro de 2025.
Em São Paulo, a referência chegou a US$ 68,04/@, avanço de 1,34% no mês e de 18,60% em um ano.
Mesmo com a queda da cotação do boi em reais em Mato Grosso, a desvalorização do dólar compensou parte desse movimento e manteve a arroba mato-grossense em patamar competitivo quando comparada a outros mercados.
No cenário internacional, a Austrália registrou a maior valorização mensal entre os principais mercados, com alta de 5,21%. Já os Estados Unidos tiveram queda de 3,60% no mês e de 8,29% no ano.
Oferta mais apertada também afeta o bezerro
A pressão sobre a oferta aparece ainda no mercado de reposição. O bezerro de ano subiu 4,54% na semana, alcançando R$ 16,71/kg, o segundo maior patamar registrado em 2026.
Na semana de 7 a 11 de setembro, o bezerro de 210 quilos chegou a R$ 3.508,06 por cabeça, contra R$ 3.355,81 na semana anterior.
Enquanto isso, o dianteiro com osso avançou 1,19%, para uma média de R$ 21,18/kg, movimento atribuído pelo Imea à maior demanda pela proteína vermelha.
O mercado também registrou alteração no diferencial entre Mato Grosso e São Paulo. Mesmo com alta nas duas praças, o avanço mais moderado em Mato Grosso ampliou o diferencial em 0,34 ponto percentual, para -9,21% na comparação semanal.
Os dados apontam, portanto, para um mercado que chega aos próximos meses com oferta de animais mais ajustada e contratos futuros precificando valores maiores para o boi gordo, embora as condições do comércio internacional continuem no radar dos pecuaristas e frigoríficos.
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