Milho pode cair mais com chegada da safrinha

A pressão sobre os preços do milho reforça a necessidade de cautela na comercialização, especialmente diante da entrada da safrinha e do aumento esperado da oferta interna. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário de curto prazo segue lateral a levemente baixista em Chicago e baixista no mercado brasileiro, com recomendações voltadas à proteção de margem e à venda gradual em momentos de repique.
No mercado internacional, a semana foi marcada por devolução de ganhos em Chicago, após a frustração com a viagem de Donald Trump à China e a continuidade das liquidações de posições por grandes fundos. A ausência de avanços concretos nas negociações comerciais reduziu a expectativa de aumento das compras chinesas, enquanto as previsões de chuvas no cinturão produtor dos Estados Unidos melhoraram a percepção sobre a umidade dos solos.
Apesar disso, o quadro climático ainda não permite descartar volatilidade. Áreas importantes seguem com déficit hídrico, e o USDA elevou a parcela da área de milho dos Estados Unidos afetada por seca. Esse fator mantém algum prêmio climático nas cotações, embora insuficiente, por ora, para inverter a tendência de curto prazo.
No Brasil, a expectativa de uma safrinha volumosa, somada à projeção da Conab de produção de 140,17 milhões de toneladas, tende a manter os preços físicos pressionados. A concorrência de exportadores sul-americanos também pesa, principalmente com a Argentina projetando uma safra recorde de 68 milhões de toneladas.
Diante desse quadro, a recomendação para a safra 2025/26 é aproveitar altas pontuais para avançar nas vendas de forma escalonada, evitando retenção excessiva à espera de uma recuperação forte no curto prazo. A prioridade deve ser a proteção de margem, já que a pressão sazonal da colheita pode abrir espaço para novas quedas, com o indicador doméstico ainda sem sinal consistente de formação de fundo.
Para a safra 2026/27, a orientação é manter cautela em travamentos agressivos. A volatilidade internacional e o mercado climático norte-americano podem criar oportunidades melhores de hedge mais adiante, tornando mais prudente uma estratégia gradual de comercialização.
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