Milho recua em MT com avanço da colheita e queda das cotações em Chicago

O mercado do milho em Mato Grosso segue pressionado pela expectativa de ampla oferta e pela queda das cotações internacionais. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço da saca do cereal no Estado registrou retração de 0,71% na última semana, encerrando o período cotado a R$ 42,10.
O movimento acompanha o cenário observado no mercado externo. Na Bolsa de Chicago (CME Group), principal referência mundial para o milho, o contrato corrente acumulou queda de 4,75% no comparativo semanal, fechando a US$ 4,32 por bushel. Segundo o Imea, a desvalorização foi motivada pelo avanço da semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos, fator que reforçou as expectativas de elevada oferta global do cereal.
A pressão também atingiu a paridade de exportação em Mato Grosso. O indicador para julho de 2026 apresentou recuo de 9,52% na semana, fechando em R$ 30,17 por saca. A redução está diretamente ligada à queda dos contratos futuros negociados na CME, que influenciam a formação dos preços destinados ao mercado externo.
Comercialização avança com colheita
Apesar do cenário de preços mais baixos, a comercialização da safra 2025/26 segue avançando no Estado. Até o fim de maio, os produtores mato-grossenses já haviam negociado 47,32% da produção estimada, aumento de 1,48 ponto percentual em relação ao mês anterior.
O percentual também supera em 1,02 ponto percentual o registrado no mesmo período da safra passada, refletindo a maior disponibilidade do cereal no mercado à medida que a colheita ganha ritmo.
Segundo o Imea, a expectativa de uma oferta elevada tem contribuído para pressionar as cotações. Em maio, a média mensal da saca ficou em R$ 42,73, valor 1,69% inferior ao observado em abril.
Safra futura ainda inspira cautela
Já para a safra 2026/27, a comercialização alcançou 4,77% da produção estimada até maio, avanço de 2,08 pontos percentuais em comparação com o mês anterior.
O desempenho foi favorecido pela estabilidade dos preços futuros, que fecharam maio com média de R$ 45,39 por saca, praticamente estável em relação a abril, com leve alta de 0,03%.
Apesar do avanço nas negociações, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Conforme o Imea, as vendas da próxima safra estão 0,82 ponto percentual inferiores às observadas em maio de 2025.
A cautela dos produtores está relacionada aos elevados custos de produção e às incertezas climáticas para os próximos meses. Entre os fatores de atenção do mercado está a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2026, que pode impactar o desenvolvimento da safra de soja e, consequentemente, influenciar o plantio e a produtividade do milho na temporada seguinte.
Enquanto a colheita avança em Mato Grosso, o mercado segue atento ao comportamento da demanda internacional, ao ritmo dos embarques brasileiros e às condições climáticas nos principais países produtores, fatores que devem continuar influenciando a formação dos preços nas próximas semanas.
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