Uma comitiva da direção nacional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Ministério da Saúde realizou, nesta quinta-feira (23), uma vistoria técnica na sede do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), em Cuiabá. A inspeção tem como foco apurar denúncias de precarização do serviço e um suposto plano de “desmonte”, diante de mudanças recentes que incluem a possível substituição de equipes do Samu pelo Corpo de Bombeiros.
A equipe foi liderada pelo coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, Felipe Reque, acompanhado por técnicos e auditores do Sistema Nacional de Auditoria. Durante a visita, foram avaliadas a estrutura física, a frota de veículos e as escalas de trabalho do atendimento pré-hospitalar no Estado.
A vistoria ocorre em meio à repercussão das 56 demissões realizadas ainda na gestão do ex-governador Mauro Mendes, pouco antes de sua renúncia. As exonerações atingiram profissionais ligados ao sistema de urgência e ampliaram a pressão de entidades sindicais e parlamentares, que passaram a questionar a continuidade e a autonomia do Samu em Mato Grosso.
Já sob o comando do governador em exercício Otaviano Pivetta, o discurso oficial tem sido de contenção de danos. Pivetta minimizou o impacto das demissões e defendeu a reestruturação do modelo de atendimento, destacando a integração entre o Samu e o Corpo de Bombeiros como estratégia para otimizar recursos e ampliar a eficiência operacional.
O Sistema Estadual de Atendimento Pré-Hospitalar foi implantado por meio de cooperação entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o que viabilizou a instalação da Central de Atendimento no Ciosp. A proposta de integração, no entanto, é vista com cautela por profissionais da saúde, que temem perda de especialização no atendimento e enfraquecimento do serviço.
A inspeção federal também é resultado da pressão exercida pelo Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT), pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (ALMT) e por parlamentares estaduais. As entidades apontam riscos de descontinuidade no atendimento e cobram transparência nas mudanças.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, acompanhou a vistoria e apresentou aos representantes do Ministério da Saúde relatos sobre as condições enfrentadas pelos profissionais e pela população usuária do serviço.
A expectativa é que, na próxima semana, representantes do alto escalão do Ministério da Saúde desembarquem em Mato Grosso para aprofundar o debate com o governo estadual. O objetivo da equipe técnica é consolidar um relatório detalhado sobre a situação do Samu no Estado, que deverá orientar eventuais recomendações e medidas a serem adotadas diante das mudanças em curso.