Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
TENSÃO NO STF

Moraes e Mendonça batem boca no STF durante julgamento do caso Master: “Quem tem medo da PF?”, veja vídeo

MORAES/ANDRE

O julgamento sobre a crise envolvendo o Banco Master terminou em um confronto direto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça nesta terça-feira (15), no Supremo Tribunal Federal (STF). A discussão ocorreu durante o debate sobre a atuação da Polícia Federal nas investigações e sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.

O clima esquentou quando Moraes defendeu que a análise de sua própria conduta e das acusações feitas contra Mendonça ocorresse de forma conjunta. O ministro questionou a separação dos casos e provocou o colega sobre a atuação da Polícia Federal.

"Não há como julgar hoje sem julgar . Quem tem medo da Polícia Federal?", perguntou Moraes.

"Não é questão de medo não", respondeu Mendonça.

"Eu não estou perguntando a vossa excelência", afirmou Moraes.

"Mas eu estou lhe respondendo", disse Mendonça.

A discussão avançou quando Moraes acusou Mendonça de ter acionado a Polícia Federal para incluir seu nome em uma colaboração premiada. O ministro afirmou ainda que pretendia apresentar testemunhas durante o julgamento.

"Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente, e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: 'Peçam isso'", declarou Moraes.

Mendonça reagiu imediatamente e negou a acusação.

"Isso é mentira", rebateu Mendonça.

Moraes então questionou se as testemunhas seriam chamadas para esclarecer o episódio.

"Então vamos chamar as testemunhas. Vamos chamar?", indagou Moraes.

Mendonça voltou a negar a acusação e afirmou que as pessoas indicadas poderiam ser ouvidas.

"Mentira, mentira", declarou Mendonça. "Podem chamar quem quiser, vão mentir", declarou Mendonça.

Acusações aumentam a tensão

Moraes voltou a defender que os dois casos fossem analisados conjuntamente e acusou Mendonça de ter chamado a Polícia Federal para incluir seu nome nas investigações.

"Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira ", repetiu Moraes. "[Mendonça] chamou : 'Inclua o ministro Alexandre'. Por que? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país. É isso, senhor presidente. É isso", frisou Moraes.

Diante da acusação, Mendonça indicou que não pretendia responder naquele momento.

"Ah, senhor presidente, eu não vou responder...", disse Mendonça.

Moraes também contestou a forma como foram classificados os relatórios de inteligência da Polícia Federal que embasaram seu pedido de investigação contra a conduta de Mendonça.

O ministro afirmou que os documentos não são "apócrifos", ou seja, sem autoria definida, e sustentou que foram produzidos por delegados da Polícia Federal.

Moraes também classificou como "fraudulenta" a investigação da PF utilizada por Mendonça para pedir uma apuração sobre sua conduta.

Mesmo diante do confronto, Moraes insistiu que os dois casos fossem julgados conjuntamente.

O que está por trás da crise no STF

A crise entre os ministros ganhou força depois que André Mendonça levantou o sigilo de relatórios da Polícia Federal relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois. Os documentos também mencionaram um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação das informações provocou o confronto entre Moraes e Mendonça, que é o relator das investigações relacionadas ao caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação "seletiva" dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou a acusação e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

Outro ponto de disputa envolve o acesso às provas extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou na segunda-feira (14) que entregou cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente à ampliação do acesso aos documentos.

Processos foram separados

Diante do conflito entre os ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos.

O caso relacionado às mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro, devido à existência de prazos de instrução ainda em aberto.

O bate-boca desta terça-feira expôs publicamente a disputa entre os dois ministros em torno das investigações do caso Master e da atuação da Polícia Federal, em um dos momentos de maior tensão registrados durante a análise do caso pela Corte.

Veja vídeo:

 

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