Moraes e Mendonça ficam lado a lado em primeira sessão do STF após divulgação de relatório da PF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ficaram lado a lado no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (2), na primeira sessão da Corte após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne informações sobre as relações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master.
A sessão transcorreu sem que os ministros fizessem manifestações públicas sobre o conteúdo do relatório ou sobre a repercussão do caso. Moraes participou normalmente dos trabalhos, enquanto Mendonça teve poucas intervenções. O episódio, porém, permaneceu no centro das discussões nos bastidores do Supremo.
A decisão de Mendonça de retirar o sigilo ocorreu na terça-feira (1º). O ministro, que é relator das investigações relacionadas ao caso Banco Master, determinou que os novos elementos apresentados pela PF sejam analisados pelo plenário do STF e deu prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar.
O material foi produzido a partir da análise do celular de Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, foram identificadas mensagens atribuídas a conversas entre o banqueiro e um contato salvo no aparelho com o nome de Alexandre de Moraes. O relatório também cita negociações envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Entre os elementos divulgados estão referências a pedidos feitos por Vorcaro a Moraes relacionados a investigações e à situação do banqueiro antes de sua prisão. A documentação também registra tratativas envolvendo contratos de prestação de serviços advocatícios. A PF, entretanto, não apontou que todas as ofertas ou vantagens mencionadas nas mensagens tenham sido efetivamente aceitas ou tenham resultado em benefício concreto para Moraes.
PGR questiona condução do caso
A divulgação do relatório abriu uma nova frente de tensão dentro do STF. A Procuradoria-Geral da República passou a analisar o material e questionou aspectos da condução adotada por Mendonça, enquanto o ministro defende que os novos elementos sejam submetidos ao plenário.
Além da controvérsia envolvendo Moraes, o próprio Mendonça passou a ser questionado após a confirmação de que Vorcaro esteve com integrantes de seu gabinete. Em nota divulgada nesta quarta-feira, Mendonça afirmou que recebeu o banqueiro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. Segundo o ministro, o encontro tratou de precatórios.
O gabinete de Mendonça também confirmou que Vorcaro prestou depoimento no gabinete do ministro, acompanhado por representante do Ministério Público e sem a presença da Polícia Federal. A justificativa apresentada foi de que o banqueiro havia relatado intimidações e pedido para ser ouvido com urgência.
Enquanto a discussão jurídica avança, a sessão desta quarta-feira terminou sem manifestação pública dos ministros sobre a crise. O próximo passo será a análise dos elementos levados por Mendonça ao plenário e da manifestação da PGR, que poderá influenciar o rumo das investigações envolvendo as relações entre Vorcaro e autoridades.
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